31/maio/2016

Transporte coletivo: perdemos uma chance histórica

A minuta do edital de licitação do transporte coletivo é mais do mesmo. Vamos oficialmente trocar seis por meia dúzia


Jornalista, editor do Cidade Plural
FOTO: Jaime Batista (Blog do Jaime)
FOTO: Jaime Batista (Blog do Jaime)

Perdemos uma chance histórica de fazer uma revolução no transporte coletivo de Blumenau. Foi a impressão que tive na sexta-feira (27), durante a audiência para apresentação da minuta do novo edital do transporte, a ser lançado ainda neste ano. Houve sim algumas melhoras e novas exigências, mas no geral a proposta deixa muito a desejar. Vamos contratar uma empresa para ficar 20 anos na cidade sem fazer mudanças significativas no transporte.

FROTA NOVA

O prefeito Napoleão Bernardes falou a imprensa no começo do ano que a nova licitação teria 100% da frota de veículos zero quilômetros. Isso não é o mais importante e os 40% apresentados na sexta-feira não é um valor ruim. Mas o recuo é uma amostra de como o governo não quis mudar de verdade o serviço.

AR CONDICIONADO

A proposta apareceu na audiência pública, na consulta nos terminais, é só perguntar para qualquer cidadão que anda de ônibus sobre o assunto. Ninguém estava pedindo 100% da frota com ar condicionado, mas uma pequena porcentagem, para começar. A Prefeitura alegou inviabilidade. Pois é. A Verde Vale possui frota com ar condicionado no serviço intermunicipal. A cidade de Santos teve uma renovação da frota com 50% dos novos veículos com o aparelho. E vocês sabem qual é a empresa em Santos? A Piracicabana.

ACESSIBILIDADE

Talvez o ponto mais absurdo da minuta, se não for ilegal. Não há uma exigência de frota mínima para veículos com piso baixo. A parte da acessibilidade só aparece no serviço BluFácil, que são veículos especiais (serão 4). Se a nova empresa não quiser comprar nenhum veículo com piso baixo, cadeirantes e outras pessoas com mobilidade reduzida terão problemas para andar normalmente.

TARIFA DIFERENCIADA

Outro ponto inacreditável. Blumenau continuará sendo a única cidade que eu conheço com transporte coletivo de bilhetagem eletrônica que cobra o mesmo valor da passagem para uso com cartão e dinheiro. Em Curitiba, Florianópolis, Joinville, etc, quem tem cartão paga menos. Segundo a coluna do Pedro Machado no Santa, a Prefeitura usou Joinville como argumento, dizendo que lá não tem cobrador. Mas é o desconto no cartão que incentiva as pessoas a usarem ele, diminuindo a importância do cobrador!!!!

Hoje, quase 40% da arrecadação é em dinheiro vivo. Esse número vai continuar alto já que não há incentivo ao uso do cartão.

DIVISÃO POR LOTES

Foi o maior pedido do público na audiência, a cada 10, 8 falava no assunto, mas esse era esperado que a Prefeitura não atendesse. A divisão não interessa a Piracicabana e vamos continuar reféns de uma empresa só. Se ela brigar com os motoristas, para TODA A CIDADE.

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Lamentável, mas perdemos a chance. O governo se acovardou e optou em fazer algo parecido com 2007. A nova frota, WiFi, carregador USB, isso é pouco para incentivar as pessoas que tem carro a usarem o transporte coletivo. E quanto menos gente usar, menos dinheiro vai girar na empresa, a passagem vai subir, o número de usuários cairá mais um pouco e num futuro próximo, teremos mais uma crise….

Giovanni Ramos
Jornalista, editor do Cidade Plural

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