Transporte coletivo: o preço subiu, a qualidade é aquela de sempre

1 de dezembro de 2017

Jornalista, editor do Cidade Plural


FOTO: Jaime Batista (Blog do Jaime)

O transporte coletivo de Blumenau subiu: vai de R$ 3,90 para R$ 4,05 a partir do dia 16 de dezembro. Mais um aumento no ano, lembrando que a Blumob começou a operar já com um reajuste para R$ 3,90. Com isso, a cidade passa a ter a tarifa mais cara de Santa Catarina (veja comparação em O Município), mas não é isso o que mais assusta. E que assusta e entristece é a qualidade do serviço e a visão retrógrada no setor.

Vejamos: Blumenau fez uma nova licitação para o transporte coletivo esse ano. A quebra do Consórcio Siga poderia ser uma oportunidade para rever todo o serviço no município, priorizar de fato os ônibus e ter uma consequente melhoria em toda a mobilidade urbana: mais pessoas dentro dos ônibus significa menos carros nas ruas, melhor para quem está dirigindo.

Poderíamos ter pensado em inovações, ou melhor, atualizações no serviço de transporte, algo comum em grandes cidades brasileiras e fora do país. A criação de um bilhete único mensal (sem limite de viagens), bilhetes 24 horas também sem número mínimo de viagens seria atrativa para os usuários. Faria vale muito mais a pena pagar em cartão do que em dinheiro. Funciona assim em São Paulo, em Londres, em Lisboa. Isso permitiria que terminais fossem abertos, com mais circulação de pessoas. O preço reduzido aos domingos seria desnecessário, assim como as estações de pré-embarque no Centro.

Deveríamos pensar em uma forma de financiar as gratuidades. Hoje, o estudante paga 50%, idosos, portadores de necessidades especiais e outros não pagam. Quem paga essa conta? Os próprios usuários do transporte coletivo, pois não há um subsídio público como nas grandes cidades europeias. Não é justo a carga das gratuidades ficar apenas com quem anda de ônibus. Deveria ser dividida entre a cidade inteira.

Ideias para melhorar o serviço são inúmeras. O vereador Bruno Cunha (PSB) levou o arquiteto e urbanista Tiago Tamanini para uma conversa no Seterb onde várias propostas foram apresentadas, inclusive a do bilhete mensal.

Mas o que foi feito na licitação? Praticamente nada! O serviço é o mesmo que vinha sendo prestado na licitação anterior. Exigiram ônibus novos na entrada, uma WiFi que poucos usam e entradas USB pouco úteis para usuários que fazem viagens curtas (a maioria). Pior: tiraram o preço reduzido dos domingos, assim como as estações de pré-embarque. Ou seja, a licitação atual é pior que a anterior.

Sem qualidade, o usuário se afasta dos ônibus. O número de passageiros continua caindo e agora foi autorizado um aumento para R$ 4,05. O mais caro do Estado. Na comparação com as outras cidades catarinenses, percebe-se que Blumenau é a única que não diferencia preço pago antecipadamente (cartão) com pagamento na hora (dinheiro). A única!!

O que você, leitor deste artigo, acha que vai acontecer com o transporte coletivo depois disso aí? Como você acha que estará o serviço em 10 anos?