18/janeiro/2017

Transporte coletivo – conscientização ao invés de protesto

Reajute em período emergencial não foi bem visto na cidade, mas ao invés de protesto, Blumenau terá consicentização


Jornalista, editor do Cidade Plural
FOTO: Jaime Batista (Blog do Jaime)

O transporte coletivo de Blumenau terá uma nova tarifa a partir de sexta-feira (21). De R$ 3,65, o valor sobe para R$ 3,85, um reajuste de 5,5%. A primeira vista, o valor pode parecer normal, visto que a inflação em 2016 ficou na mesma faixa, porém, a situação atual do serviço abre espaço para a polêmica. Há um ano, o transporte coletivo opera emergencialmente na cidade, com a Viação Piracicabana, concessionária provisória, sem ter as mesmas responsabilidades que eram imputados ao Consórcio Siga, que teve sua concessão revogada por não cumprir cláusulas do contrato.

O primeiro reajuste dentro de uma operação emergencial não foi bem vista pelos blumenauenses, que inundaram as redes sociais da imprensa com críticas ao governo pela decisão. No entanto, a reclamação parou por aí. Não houve mobilização nas ruas contra a tarifas como ocorrido em outras épocas, quando a cidade registrou até repressão violenta por parte de alguns policiais.

Nesta quinta-feira (19), véspera do aumento, ao invés de um protesto nas ruas, um grupo de pessoas contrárias ao reajuste decidiu partir por outro caminho: a conscientização nas ruas. Eles estarão em três terminais de ônibus com panfletagem, conversando com os usuários do transporte coletivo, apresentando as razões para serem contrárias ao aumento. São as razões:

  • O aumento não estava previsto no contrato emergencial (tanto que estão fazendo outro).
  • O contrato emergencial já dura um ano, quando a previsão inicial era de seis meses. Oficialmente, não há uma concessionária do serviço na cidade.
  • A Piracicabana, que opera emergencialmente, não possui gastos com manutenção dos terminais, locação de garagem, segurança, entre outros custos que a antiga concessionária tinha que absorver.
  • A falta de qualidade da empresa provisória, visto pelos veículos que circulam na cidade.
Cartaz do evento desta quinta-feira

Procurado pela reportagem do Cidade Plural, o Seterb justificou o aumento baseado “o aumento dos insumos, em especial da mão de obra, e do índice inflacionário acumulado em 2016, de 7,38%, medido pelo IGP-M. Além disso, leva em consideração o princípio econômico financeiro do serviço, a modicidade (capacidade do usuário em pagar a passagem), bem como a eficiência da prestadora do serviço”. O Cidade questionou se a tarifa pode sofrer um novo reajuste em 2017 quando a vencedora do edital assumir oficialmente o transporte coletivo, informação que ainda não foi verificada até a publicação desta matéria (que será atualizada, em caso de resposta).

Cansaço

Umas das envolvidas na panfletagem prevista para quinta-feira (19), a estudante de Direito Ariane Blum acredita que há um cansaço dos blumenauenses o que acaba fazendo com que os usuários aceitem o que está sendo imposto pela Prefeitura. “Está complicado fazer uma análise. Mas falta mobilização. A ideia da panfletagem é explicar o que está acontecendo para os usuários”, comenta.

O logista Mikke Nienow é também usuário do transporte coletivo da cidade e defende a posição adotada para o evento de quinta-feira. Para ele, é preciso fazer com que as pessoas entendam o que está acontecendo para que elas se revoltem sozinhas contra os descasos do serviço público, sem precisarem ser convocadas.

“Eu acredito que é preciso ser bastante didático e fazer trabalho de campo com um contato mais direto e frequente c a população, trazendo dados relevantes e provocando de verdade, em geral as pessoas estão no automático e precisam ser ‘convocadas’ por ‘alguém oficial’ pra reagir. A busca nesse momento é exatamente eliminar essa necessidade, reação pela causa e não pelo locutor da causa”, afirma.

 

Giovanni Ramos
Jornalista, editor do Cidade Plural

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