19/Fevereiro/2018

Reformar o Ramiro? Os parques na pauta da cidade

Proposta de iniciativa privada cria polêmica e abre espaço para discutir o tema


redacao@cidadeplural.com.br

Mudar o modelo de gestão do Parque Ramiro Ruediger, através de uma parceria público-privada, permitir que uma empresa faça uma reforma no parque em troca da comercialização de espaços publicitários no local.

A proposta é da Villard Empreendimentos Imobiliários, de Balneário Camboriú, que será apresentada em detalhes na quarta-feira, dia 21. Mas somente a divulgação da notícia nesta segunda-feira, dia 19,  já levantou a discussão não somente pelo modelo ideal para o parque, mas também, sobre espaços de lazer na cidade.

A proposta inclui uma tirolesa no lugar da pista de skate e uma praça de alimentação no lugar do gramado à direita de quem entra no parque. As críticas foram principalmente a parte da Praça de Alimentação. Os argumentos são que já existem diversos estabelecimentos próximos do gênero (Parque Vila Germânica, restaurantes, Tamandaré Food Park, entre outros) e sua entrada retiraria o único gramado do local.

A possibilidade de parcerias público-privadas está prevista em lei municipal desde 2013. Porém, o vereador Bruno Cunha, defensor das parcerias, alerta que lei é bastante ampla e um decreto municipal foi feito depois para apresentar as regras.

Questionado sobre a proposta, o vereador informou que prefere esperar a apresentação do projeto na quarta-feira. “Temos que conhecer melhor os detalhes para avaliar. Como advogado, sei que a imparcialidade é constitucional nos atos da administração pública. O assunto é importante e vamos acompanhar”, afirmou Bruno.

Numa conversa com o presidente do Parque Vila Germânica e secretário de Turismo, Ricardo Stodieck, o Cidade Plural foi informado que novos bancos estariam em processo de licitação e seriam colocados no parque até o fim do primeiro trimestre. A secretaria é uma das responsáveis pelo parque estará presente na coletiva de imprensa de quarta-feira. Até a data, não irá se manifestar sobre o assunto.

O Cidade Plural decidiu elaborar uma reportagem colaborativa, selecionando opiniões de pessoas com olhar crítico, ativo e plural sobre o projeto:

Christian Krambeck (arquiteto e urbanista, colunista do Cidade Plural):

O parque Ramiro Ruediguer é uma conquista histórica e importante da sociedade blumenauense, surgiu a quase 25 anos para provar a importância dos espaços públicos e que os blumenauenses gostam de viver a cidade, praticar esportes, estar em contato com a natureza e outras pessoas. Atesta ainda que precisamos de mais espaços públicos de qualidade, assim como o novo Parque das Itoupavas, a ser inaugurado em abril deste ano, e que essa responsabilidade é do poder público, que precisa priorizar esta política pública e investimentos para pelo menos mais 2 parques do mesmo porte em Blumenau.

Pode haver parcerias público privadas, mas estas tem que atender o interesse público e respeitar a lógica e necessidade das pessoas, não se pode por exemplo, querer “enxertar” atividades privadas em espaços públicos apenas para diminuir custos e investimento público, em alguns casos a relação público privada pode ser conflitante e não ser boa para a sociedade.

Outro ponto é o Mercado Público de Blumenau, fruto de concurso nacional de arquitetura em 2007 e que contempla várias atividades e usos propostos indevidamente para o parque: restaurtante, choperia, praça de alimentação, padaria, pastelaria, palco de apresentações, estacionamento rotativo subterrâneo, espaço gourmet e de serviços, além dos boxes para os feirantes. MERCADO PÚBLICO é peça chave em toda a equação.

Alfredo Lindner (arquiteto e urbanista):

Adoro o parque como ele é, apesar de frequentar pouco ultimamente. Mas o seu sucesso é explícito. A boa arquitetura e o bom urbanismo se conhecem pela espontaneidade da sua aprovação popular. O parque é simples e ao mesmo tempo perfeito, sempre foi um dos meus maiores ídolos. Só esqueceram das árvores… Parque é verde, sombra, sentar no chão, caminhar, relaxar, ler, descansar, pedalar, andar e correr.

Walter Carlos Weingaertenr (comunidade Acupuntura Urbana):

Este é o Englischer Garten de Munique. Reparem que não tem paver, não tem bancos e nem florzinhas. Acredito que o sucesso do parque está mais associado ao espaço adequado para o encontro de pessoas de maneira não tão ordenada onde cada um acha o seu espaço em meio ao silêncio e a temperatura agradável proporcionada pelas árvores e pelos diversos canais de água

Arnaldo Zimmermann (jornalista e professor):

Proposta ilegal, indecorosa e altamente suspeita. Uma das ilegalidades é que uma empresa não pode fazer o projeto e querer também explorar o negócio (não adianta ter lei municipal para o PPP porque a legislação federal é soberana). Outra é a lei municipal proibindo bebidas alcóolicas nos parques e praças da cidade. E tem mais ilegalidades ainda (vamos ficar bem atentos e vigilantes).

Mas o principal é o fato de quererem acabar com o parque verde de lazer familiar para instalar mais um concretão lucrativo – pra isso a cidade já tem três shoppings. Se querem investir, construam um espaço novo ao invés de acabar com os atuais.

Giovanni Ramos (editor do Cidade Plural):

Parcerias público-privadas podem ser interessantes para a cidade. Vamos esperar os detalhes do projeto, mas já podemos antecipar algumas coisas. É preciso mesmo reformar o Ramiro ou só precisamos de alguns ajustes para ele ficar bom?

Será que a entrada de investimentos privados não seria interessante em outra área pública? Blumenau precisa de mais parques. Só temos o Ramiro e o das Itoupavas que deve ser inaugurado em breve. A Prefeitura possui um projeto de revitalização da Prainha, mas não possui recursos públicos para execução. Não é o local ideal para uma parceira dessas?

Ana Paula Dahlke (editora do Cidade Plural):

Posso mudar de ideia, mas a princípio não gostei. Precisamos ver as questões de interesse que norteiam a proposta. Quase nada nesse mundo é de livre e espontânea vontade. Precisamos saber o que a empresa terá como retorno, pois como irá funcionar o estacionamento, o pedalinho, a praça de alimentação e a própria tirolesa se não com funcionários capacitados para tais atividades?

A parceria até que é válida, mas é necessária? Quanto será investido?  A população blumenauense quer que seja mudado de tal forma apresentada? Outros ou novos espaços não poderiam ser contemplados? As pessoas que frequentam o espaço serão consultadas sobre as mudanças? Quantos por cento a opinião delas irão prevalecer sobre os interesses da própria proposta? Questões para quarta-feira.

Confira a lista de mudanças e adaptações do projeto:

1- Praça de alimentação

2- Cervejaria

3- Pedalinho

4- Letreiro pra selfie

5- Garagens de carro para Oktoberfest

6-  Novo playground

7- Novos banheiros e vestuários

8-Novas quadras

9- Novas pinturas das pistas

10- Vila encantada

11- Academia

12- Tirolesa

13- Novo porta

14- Caminhos gourmet

15- Novo playground 2

16- Novos banheiros e vestuários 2

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