29/fevereiro/2016

Praças acolhidas – espaços reformados em 2015 estão preservados

Iniciativa de voluntários que se organizaram pela internet deu resultado


Jornalista, editor do Cidade Plural

A indignação de uma moradora com o abandono de uma praça no bairro Tribess foi o ponto de partida para uma grande iniciativa de mobilização na internet: acolher as praças. Voluntários se organizavam no Facebook para capinar, fazer uma nova pintura e até mesmo fazer algumas instalações em praças abandonadas pelo poder público. O coletivo Acolher a Praça deu outra cara para quatro espaços públicos da cidade: no Tribess, Nova Esperança e duas áreas na Rua Pedro Krauss Sênior, bairro Vorstadt.

Mas o trabalho feito pelos voluntários deu resultado? Valeu a pena? O Cidade Plural visitou as praças no último sábado (27) para saber o estado atual delas e como a comunidade utiliza o espaço atualmente. E o resultado é satisfatório. As comunidades agradeceram a ajuda e afirmam que a praça passou a ser mais “bem frequentada” depois das mobilizações.

O estudante de Engenharia Civil e integrante do coletivo Sinergia Urbana Iran Tomedi, que participou das três edições do Acolher a Praça em 2015, acompanhou a reportagem. A primeira parada foi no bairro Tribess. A Praça Raphael Luciani foi a primeira a receber a intervenção no ano passado, após a sugestão da moradora Daniela Roste.

“Nós plantamos algumas árvores no ano passado e elas cresceram, a pintura continua visível e soubemos que a Prefeitura andou roçando o gramado. O que não deu certo mesmo foi a horta que plantamos”, comenta Tomedi.

Vizinha da praça, a moradora Otília Long é só elogios para a iniciativa. Ela conta o número de crianças brincando no espaço aumentou depois da intervenção e as algazarras no período da noite sumiram. “Antes, o espaço era frequentado por gente que vinha beber à noite, usar drogas. Isso acabou porque a comunidade passou a usar mais”, afirma.

A ZELADORA

Na Rua Pedro Krauss, a ideia do Acolher a Praça em 2015 era agir apenas na Praça Dona Tina, que fica dentro da comunidade. Mas a mobilização foi tão grande (contou com alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Furb) que duas praças no bairro foram acolhidas.

A Praça Dona Tina continua preserva e utilizada pela comunidade. Assim como no Tribess, apenas a horta não deu certo. A geladeira de livros e revistas, colocada pelos voluntários ano passado, é um sucesso. Muitos livros foram retirados, mas outros foram colocados no lugar.

A moradora Carmen Cardoso, que no ano passado cedeu seu muro para uma arte plástica, também elogia a iniciativa. Ela conta que a praça deixou de ser “mal frequentada” após a reforma e que ela mesmo fica de olhos nas crianças que brincam durante o dia. “Eu fico de olho e sempre digo para elas deixarem as coisas como estão, tudo limpo depois”, afirma. A outra praça do bairro, apesar de ser menos frequentada, mantém as intervenções feitas em 2015.

No bairro Nova Esperança, a preservação foi menor. A praça fica ao lado da Escola Gustavo Richard que usa o espaço para aulas de educação física. A diretora Elizete Gomes conta que o zelador da escola ajuda a manter a limpeza, mas o local continua sendo um problema à noite. “Eles fizeram pinturas, deixaram o lugar mais bonito no ano passado. Mas ainda encontramos muitas garrafas de bebidas e outras coisas no começo da manhã”, afirma.

Moradora que sugeriu a primeira das ações, Daniela Roste está contente com os resultados verificados, porém, entende que a participação das comunidades precisa ser maior. “No Tribess, eu escutei de uma senhora que a obrigação de limpar a praça é da prefeitura. As pessoas só esperam do governo, mas não se sentem incomodadas em jogar uma bituca de cigarro no chão”, observa.

Amigos da Natureza – a mobilização da própria comunidade

IMG_20160227_112703307Os voluntários do Acolher a Praça não são os únicos blumenauenses interessados em preservar espaços públicos. Há centenas de pessoas com essas intenções na cidade. No bairro Progresso, a mobilização começou pelo Ribeirão Garcia e chegou às praças. O grupo “Amigos da Natureza” reúne cerca de 60 pessoas e impressiona pelos serviços prestados ao município.

O comerciante João Luiz Muniz é um dos líderes desse movimento. Ele conta que se irritava com a poluição no Ribeirão Progresso todos os dias, quando ia ao trabalho e um dia resolveu chamar os amigos e outros da comunidade para começar um limpeza perto de casa. Já ocorreram três ações de limpeza do ribeirão, num trecho de 7 quilômetros.

Se não bastasse tirar a sujeira do ribeirão, os Amigos da Natureza foram além e decidiram impedir novas poluições. Uma campanha para impedir que o óleo de cozinha fosse despejado no ralo mobilizou comerciantes do bairro, que montaram postos de coleta. Em 10 meses, 1050 litros de óleo foram coletados e mandados para uma destinação final correta.

Do ribeirão, os Amigos da Natureza foram para as praças. Em uma ação semelhante ao ocorrido nos outros bairros, dois espaços públicos tiveram o gramado roçado, pinturas e uma adequação de espaço para melhor servir a comunidade.

 

Praça do Progresso antes
Praça do Progresso antes
Praça do Progresso depois
Praça do Progresso depois

“Nós queremos fazer a reforma de outros espaços. A comunidade tem que participar, ajudar a cuidar. A cidade é nossa, temos que preservá-la”, comenta Muniz, que já possui conversas adiantadas com o coletivo Sinergia Urbana para ações em conjunto com o grupo Amigos da Natureza.

 

 

Giovanni Ramos
Jornalista, editor do Cidade Plural

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