Porque a Figueira será morta…

4 de junho de 2016

Arquiteto e urbanista. Professor da Furb

citakrambeck

Porque nossas instituições estão cada vez mais distantes da realidade e das pessoas, encasteladas em seus escritórios com ar-condicionado e todo o conforto que nossos impostos mal empregados podem proporcionar. Porque somos uma sociedade culpada!

Pela omissão, pela tolerância, pela parcialidade, pelo distanciamento, por permitir a existência de privilégios que distorcem as funções públicas, seus ocupantes e seus atos. Porque nossos políticos não têm mais capacidade de liderar a construção de um novo projeto de democracia, um novo modelo de cidade para as pessoas onde haja participação, debate, projetos efetivos e abrangentes, com equilíbrio entre as questões técnicas e comunitárias.

Já faz tempo que as decisões são tomadas por inércia, sem competência, por interesse de poucos, favorecendo pequenos e as vezes ilegítimos grupos cujo interesse é apenas se aproveitar da cidade através da especulação ou novos privilégios injustos e discutidos nos gabinetes do poder e não no palco da cidade, os espaços e eventos públicos.

Porque nossas audiências públicas e conferências, espaços originalmente destinados ao debate aberto e construção coletiva da cidade que queremos, são mal organizadas, mal divulgadas, apenas para “cumprir tabela” e “inglês ver”. A Figueira será morta devido a guerra de egos, vaidade e arrogância de nossos representantes públicos, que deveriam ser e se sentir apenas servidores do povo e não como “autoridades”.

Ela será morta porque “alguns”, além de não tolerar o debate público e construção coletiva de alternativas e ideias, têm medo de que cada vez mais pessoas em Blumenau, percebam que o atual modelo de cidade e de poder está desmoronando.

Porquê temem a recente efervescência da rede de inovação e movimentos, pessoas, entidades, coletivos, instituições que acreditam e lutam pela mobilidade cidadã e ecológica, pela preservação ambiental e respeito a dinâmica natural das águas do Vale; pelo direito das mulheres, crianças, idosos e minorias à cidade; por mais espaços públicos de qualidade; pela predominância do transporte coletivo, ciclo-viário e caminhada em detrimento do deus carro. Para que os destinos de Blumenau sejam construídos e decididos por todos, através de instrumentos legítimos, transparentes e verdadeiros de participação social e política.

Mas no fim, ela viverá! Seja porque a resistência e coerência pública da cidade foram capazes de salvá-la; ou em nossas lembranças, como o marco do início de uma nova era, o tempo em que começamos a construir com as próprias mãos uma cidade para as pessoas.