Nova Ponte do Centro: os argumentos de quem questiona a proposta

23 de agosto de 2017

Jornalista, editor do Cidade Plural
Montagem: Divulgação/Prefeitura

Com o edital para a contratação da empresa que fará as obras lançado na última sexta-feira, a nova ponte da região central de Blumenau continuará na pauta dos blumenauenses por um bom tempo. Apresentada pela Prefeitura como a Ponte Norte-Sul (ligando as ruas Itajaí e Paraguai), a nova estrutura é criticada por diversas entidades da sociedade civil que decidiram se unir para que a licitação seja suspensa e uma discussão mais profunda ocorra a respeito do projeto. O Ministério Público será acionado enquanto outras ações serão feitas nas ruas para colocar a população blumenauense no debate: o grupo, que se reuniu nesta terça-feira (22) na Furb, defende o traçado original para a ponte do Centro (ligando as ruas Rodolfo Freygang e Chile) e critica a falta de participação pública e de estudos para alteração do projeto.

Participaram da reunião na Furb, o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) Núcleo Blumenau, o projeto Cidade para as Pessoas do curso de Arquitetura e Urbanismo da Furb, a Associação Catarinense de Preservação da Natureza (Acaprena), a Associação Blumenauense Pró Ciclovias (ABC Ciclovias) e a Associação de Moradores do Bairro Ponta Aguda.

Presidente do IAB Blumenau, Daniela Sarmento apresentou as razões técnicas que levam o grupo a ser contra a mudança no traçado da ponte. Para o grupo, faltam as seguintes informações:

  • Um estudo do transporte público no local, já que a proposta da Prefeitura prevê que o sentido Ponta Aguda-Centro será um corredor de ônibus. Quais linhas passarão pela ponte?
  • Acesso aos dados quem está fazendo os estudos de mobilidade. De onde saem os argumentos utilizados pela Prefeitura.
  • Um estudo de impacto ambiental atualizado, pois o estudo atual é de 2014 e foi feito para um projeto diferente do atual (a ponte ligando as ruas Itajaí e Paraguai já passou por cinco alterações desde 2013).
  • Um estudo de impacto de vizinhança (EIV)
  • Um estudo viário que leve em consideração o parque linear na Margem Esquerda, que é outro projeto da Prefeitura.
  • Dados sobre os gastos com a mudança do projeto e também com as desapropriações que precisarão ser feitas no bairro Ponta Aguda, incluindo parte do terreno do Moinho do Vale e da AABB.
  • A necessidade de fazer audiências públicas do projeto que foi licitado.

Durante a reunião, vários participantes destacaram a ausência do Estudo de Impacto de Vizinhança, que foi permitida através de um decreto municipal de 2015, além da não realização de audiências públicas, diferente do processo feito no projeto da ponte ligando as ruas Rodolfo Freygang e Chile, que incluiu até um concurso de arquitetura. Daniela, no entanto, entende que um dos problemas mais graves está no Estudo de Impacto Ambiental.

A Prefeitura considera um EIA de 2014, desatualizado, de um projeto diferente. O que muda é a quantidade de pilares dentro da ponte. A primeira ponte, na Rua Chile, nós tínhamos um estudo matemático de cada pilar na questão das enchentes. Por isso, o projeto foi feito sem nenhum pilar, com estrutura metálica. É uma informação que precisa estar muito clara: qual o impacto desse projeto na dinâmica do rio?”, comenta Daniela.

Coordenadora do projeto Cidade para as Pessoas, a professora Carla Back lembra que foram solicitadas informações sobre o projeto novo desde o dia 18 de abril, mas até hoje a Prefeitura não atendeu. “O projeto Cidade para as Pessoas tem como objetivo propiciar o debate e não ele definir o que deve ser feito. Nós pedimos no dia 18 e pedimos também na audiência pública para apresentação do Plano de Mobilidade e não recebemos”, afirma Carla.

Participante da reunião, o advogado Emmanuel Antônio Silvério dos Santos explica que uma conversa com o Ministério Público já está sendo agendada para que a promotoria tome conhecimento das reivindicações do grupo. A intenção é que o MP faça uma ação civil pública, mas uma ação por iniciativa direta das entidades não está descartada. “Queremos que a Prefeitura siga os procedimentos legais, que ouça as entidades, o Coplan, os órgãos ambientais”, declara.

As duas propostas em discussão

Trânsito infernal

A Associação de Moradores do Bairro Ponta Aguda também esteve presente na reunião. Foram 12 moradores interessados em conhecer as posições e informações de arquitetos e urbanistas sobre a proposta da Prefeitura, que vem causando preocupação. A entidade foi criada em 2011 para representar os moradores após os deslizamentos de terra na margem esquerda do rio e passou a tratar também do assunto da nova ponte.

Secretária da associação, Simone Beatriz Amaro Dias conta que a preocupação dos moradores é com o já infernal trânsito nas principais vias do bairro. A entidade deve se reunir com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano nesta quinta-feira (24) para tratar do assunto. “O trânsito é caótico quase o dia inteiro. Avenida Brasil, Rua Paraguai, Rua Chile, Uruguai, fica tudo parado. Os moradores querem explicações sobre o projeto”, revela.