Ligação Velha-Garcia. Por que a novela continua?

22 de agosto de 2017

Jornalista, editor do Cidade Plural

Uma via direta que ligue duas das regiões mais populosas de Blumenau: o Grande Garcia (com + 60 mil habiantes)  e a região da Velha (+ 80 mil habitantes). A ligação Velha-Garcia foi pensada há mais de quatro décadas, chegou a ser anunciada no começo dos anos 2000 e até hoje continua sendo um objeto de polêmica, que divide a população e também especialistas no assunto. Afinal, ligar o Sul e o Oeste da cidade é uma prioridade? Se é, por que está longe de sair do papel?

O arquiteto e urbanista Alfredo Linder Jr é um dos defensores de uma obra. Ele explica que a ligação entre as regiões está prevista desde da década de 70 e que desde 2002 está inclusa no Plano Diretor do Município, uma obra que o urbanista considera fundamental para a mobilidade na cidade.

“Desde a criação do Plano Diretor há quase 50 anos, constatou-se que era necessário criar dois anéis viários em volta do Centro, o Anel Norte e o Anel Sul, para evitar o trânsito pesado no Centro. O Anel Sul prevê a ligação do bairro Garcia à rodovia BR-470, para permitir a sua interligação, chegada e saída da cidade, sem aumentar o fluxo no centro da cidade, espremido entre o rio e os morros. Há uma década, existe no Plano Diretor o Anel Periférico, ou Anel Perimetral, do qual a ligação Garcia-Velha é peça chave”, argumenta Lindner.

A proposta, no entanto, não é mais consenso. O também arquiteto e urbanista Christian Krambeck acredita que fazer a obra teria um custo muito alto de implantação, incompatível com o seu benefício. Ele defende uma nova visão para o planejamento urbano na cidade, qualificando os centros de bairros e utilizando os recursos que seriam destinados à obra em outras ações menores.

“Sou contra a implantação da ligação Velha-Garcia. Já está mais do que na hora dos investimentos de grande porte serem direcionados para a construção de parques, praças e calçadas acessíveis e outros espaços públicos de qualidade; mais corredores exclusivos e de qualidade; ciclovias de qualidade e interligadas; mais 3 parques públicos para a cidade (Garcia, Velha e Fortaleza), além da conclusão da reurbanização da Margem Esquerda e da passarela de pedestres com a Ponte no lugar certo (concurso nacional) e outros projetos a limpeza e despoluição dos ribeirões Velha e Garcia com parques lineares e recuperação ambiental ao longo de suas margens”, comenta Krambeck.

Pesquisa avaliará necessidade

Depois de ser inclusa no Plano Diretor, a ligação Velha-Garcia chegou a ser anunciada em 2004 pela Prefeitura Municipal, mas as opções de traçados da época não evoluíram. Eram todas por cima de um morro que faz parte do Parque Nacional da Serra do Itajaí, área de preservação ambiental. Em 2015, um projeto básico entregue à Prefeitura previa um túnel 2,8 quilômetros e a previsão de gastos partiria de R$ 200 milhões.

O atual secretário de Desenvolvimento Urbano Ivo Bachmann Junior confirma que a Prefeitura deve colocar o assunto na pauta em 2018. No momento, o foco do Executivo Municipal são outras obras consideradas essenciais pelo governo como os corredores Norte (Itoupava Central) e Sul (Garcia), além da nova ponte da região central.

Bachmann quer um novo estudo de viabilidade da obra e reforça que a Prefeitura contratou uma pesquisa de origem-destino, estratégica para entender o fluxo de trânsito na cidade. Essa pesquisa, cujas as informações já foram coletadas, será importante para saber o quão importante é (ou não) a criação de uma ligação direta entre os bairros.

Transviana 

Blumenau possuía uma ligação entre as duas regiões até 2008. A Rua Willi Henckels, que inicia na Rua Bruno Rüdger (Velha Central) até a Rua Antônio Zendron (Valparaíso) foi aberta no início dos anos 80 e ficou conhecida como Transviana (em homenagem ao ex-prefeito Renato Viana). A via foi interditada após a tragédia climática de 2008 e desde então apenas pedestres e alguns ciclistas se aventuram a passar pelo local.

Apesar da Transviana ter sido colocada em pauta pelos vereadores recentemente, que chegaram a fazer visitas ao local, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano descarta a possibilidade de usar o trajeto. Segundo Bachmann, trata-se de uma área de alto risco geológico, não valendo a pena o investimento.

Atualmente, a ligação mais próxima entre Velha e Garcia é pelo chamado Morro da Companhia Hering, ligando a Velha com o Jardim Blumenau, passando pelo Bom Retiro.

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