21/Fevereiro/2018

Parque Ramiro Ruediger em discussão

Após adaptações e apresentação do projeto, o Cidade Plural colheu novas opiniões


Editora do Cidade Plural/Estudante de Jornalismo na Furb

Após a coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira, dia 21, representando a Villard Empreendimentos ImobiliáriosJosé Figueiredo, que detalhou o projeto que gerou discussões acerca da reformulação do Parque Ramiro Ruediger, o Cidade Plural buscou novamente opiniões de pessoas atentas as mudanças propostas.

A primeira imagem divulgada para a imprensa regional apontava 16 alterações no parque.

Cidade Plural decidiu elaborar uma reportagem colaborativa, selecionando opiniões de pessoas com olhar crítico, ativo e plural sobre o projeto a partir da apresentação oficial. Confira clicando aqui.

 

Coletiva de imprensa:

O projeto foi proposto no formato de uma parceria público-privada. A reunião com a imprensa aconteceu no escritório de advocacia Nemetz & Kuhnen, que assessora o empreendimento.

Além da imprensa, esteve presente também o secretário de turismo Ricardo Stodieck, que após a coletiva, informou que irá dar um retorno sobre o projeto em até 30 dias.  A secretaria é uma das responsáveis pelo gerenciamento e manutenção do parque.

Segundo José Figueiredo:

  • 88% da área do parque continuaria pública e 12% seria explorada com atividades comerciais
  • Seriam criados 300 empregos diretos e indiretos com as atividades
  • O investimento seria de R$ 4 a R$ 6 milhões , com um prazo de conclusão das obras em até 6 meses

Com manifestações de usuários nas redes sociais, o empresário teve a cautela de fazer alterações e apresentar uma nova imagem na coletiva:

Exploração comercial:  Pedalinhos, carrinhos gourmet, praça de alimentação, choperia, locação de bicicletas e patins, tirolesa, academia, passeio de carruagem, vila encantada, atividades e eventos musicais, culturais e gastronômicos, estacionamento de carros alegóricos como ponto turístico para selfies e roda gigante.

Reformulações: Novas calçadas, fachada, portais e sinalizações, acessibilidade, letreiro para selfie, nova comunicação visual, reforma das quadras, pulseira de identificação de crianças, nova pintura das ciclofaixas,  novos banheiros e vestiários, bebedouros, novos mobiliários urbano, relógios com marcadores de temperatura, câmeras de monitoramento, guardas para segurança e tendas para áreas de sombra.

 

CONFIRA O PROJETO NA ÍNTEGRA CLICANDO AQUI

 

Pesquisa de satisfação
O empresário disse que a empresa realizou uma pesquisa com cerca 800 pessoas que frequentam o local, entre 25 de outubro e 3 de novembro de 2017.

  • 39% vão ao parque nos finais de semana.
  • 52% vão acompanhados da família.
  • 48% reclamaram dos bebedouros.
  • 45% reclamaram dos banheiros.
  • 42% reclamaram da falta de opções de bebidas e alimentação.
  • 74% disseram que frequentariam mais vezes se houvessem melhorias.

 

Após adaptações e apresentação do projeto, o Cidade Plural colheu opiniões e está aberto a novas considerações plurais (a favor ou contra o projeto), confira abaixo:

 

Carolina Viviane Nunes (Arquiteta e Urbanista. Projeto Humanität): 

Acho que muita gente já se manifestou muito bem a respeito. Só para reforçar alguns pontos: Por que não propor uma Parcerias Público Privadas (PPP) para construir mais parques? O Ramiro já é bem vivo! Gramados e áreas livres são ótimos num parque. Não precisa de tanto banco, tanta estrutura. A minha opinião é façam mais parques. Não precisamos colocar tudo num parque só. 

Assim como a gente tem o Blumenau 2050, Munique, na Alemanha, tem o Munique 2030, só que esse é o planejamento só para áreas verdes. Acho que isso precisa ser feito, organizar as ideias no mesmo documento, debater com a comunidade, fazer todo um processo participativo bacana. Daí sim estabelecer as prioridades. Ver o que é mais fácil/possível, ver onde tem mais necessidade. Eu vejo PPP’s com bons olhos, só que o caminho deve partir do interesse público e não o contrario. 

 

Arnaldo Zimmermann (jornalista e professor):

Há muitos pontos ocultos nessa proposta. Por exemplo, falaram em 300 empregos “diretos e indiretos” mas não deixaram claro quantos empregos “diretos” exatamente vai gerar. Ora, podem ser 20 diretos e 280 indiretos. Até porque se vai gerar tantos empregos diretos, o investimento terá que se pagar, provavelmente a um alto preço. Se vão investir em campos sintéticos, certamente cobrarão aluguel dos horários das quadras, assim como fazem outros empreendedores pela cidade. A diferença é que nos outros casos, os empresários tiveram que investir em tudo, desde o início, desde a aquisição de terrenos, edificações, divulgação para atrair e conquistar público, etc. No caso do Ramiro, eles vão se aproveitar de um espaço já quase totalmente estruturado onde o público já está ali. Até porque geração de emprego por emprego, até depósito de lixo hospitalar gera vagas. Isso não é justificativa para destruir algo que já funciona bem e que só precisa de pequenos reparos cotidianos.

 

Christian Krambeck (arquiteto e urbanista, colunista do Cidade Plural):

PPP’s podem ser interessantes, mas neste caso deveria se pautar por criar vitalidade no entorno do parque, aproveitando calçadas e acessos pela cidade nos 4 lados do parque, trazendo mais segurança para a as vias do entorno. Tem alguns pontos importantes: porque não aproveitar toda a lateral (fundos, divisa com o Fórum) para implantar uma estrutura linear com todas as novas construções (já que a perspectiva e paisagem dali para trás é feia, com o fórum enxaimeloso e o novo prédio abandonado etc) com lojas no térreo, varandas no primeiro andar intercalando coberturas de pergolado, tetos verdes e alguns lugares manter as árvores maiores e mais importantes?

Dessa forma, o gramado principal poderia ser mantido, criando uma nova atração e atraindo as pessoas para o fundo do parque. Creio que seja importante a sociedade debater, participar e sugerir melhorias. Outro ponto importante é que o conceito e o parque como um todo se fecha para dentro, ensimesmado, ignorando, dando as costas e mesmo desvalorizando o entorno imediato (calçadas, acessos, futuro Mercado Público etc), quando o ideal seria “contaminar” a rua, as calçadas, a ciclovia, o espaço público aberto, inclusive com previsão pela Prefeitura de implantação do PROJETO DO DISTRITO TURÍSTICO desenvolvido numa parceria entre a Secretaria de Turismo e o curso de Arquitetura e Urbanismo e o de turismo da Furb, com previsão de pistas de corrida e caminha, ciclovias etc em todo o entorno do parque, aproveitando alguns trechos e calçadas existentes e criando novos trechos… uma forma de expandir o parque para além de sua área restrita e “umbigo”.

 

Vamos abraçar o Parque

Está rolando no Facebook um evento que pretende reunir pessoal em prol de manter o parque público.

A manifestação será na quarta-feira, dia 28, das 18h às 20h no próprio Ramiro.

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