O que significa ser a Capital Brasileira da Cerveja?

10 de Março de 2017

Jornalista, editor do Cidade Plural


Marca foi lançada em 2016, antes da sanção da lei. FOTO: Clio Luconi/Divulgação

Agora é oficial. Blumenau é a Capital Brasileira da Cerveja por força da lei. O presidente Michel Temer sancionou a lei que reconhece o título para a cidade na quinta-feira (9) em uma cerimônia em Brasília com uma comitiva de blumenauenses com autoridades públicas e do setor cervejeiro. Mas o que isso realmente importa para o turismo de Blumenau?

A lei não estabelece regras ou oferece vantagens diretas para o município. Trata-se de um valor simbólico, mas de alta importância para os empresários do setor cervejeiro, dos profissionais envolvidos com o turismo e para o poder público, que aposta muito no setor gastronômico como vetor principal do turismo da cidade.

CERVEJARIAS DE BLUMENAU
Eisenbahn (2002)
Bierland (2003)
WunderBier (2007)
Oktobier (2011)
Container (2014)
Blumenau (2015)
Hemmer (2017)
Antídoto (2017)

“Não dava para falar de turismo como economia se essa economia funcionava apenas com 5% de sua capacidade. O turismo estava focado apenas na Oktoberfest, ou seja em apenas 18 dias no ano. Decidimos mudar o posicionamento turístico da cidade, trazer turistas o ano inteiro. A cerveja é vitrine do turismo gastronômico que Blumenau se posiciona hoje”, comenta o secretário de Turismo, Ricardo Stodieck.

O secretário lembra que a cidade já trabalhava com a marca “Blumenau Capital Brasileira da Cerveja” antes mesmo de a lei ser sancionada (a marca da foto acima foi criada no ano passado), mas o reconhecimento oficial era um componente necessário. A articulação do município em Brasília deu-se pelo deputado federal Décio Lima (PT-SC), ex-prefeito da cidade que foi o autor do projeto de lei na Câmara dos Deputados. O também catarinense Esperidião Amin (PP) foi o relator na Câmara e o senador Dalírio Beber (PSDB), com base política em Blumenau, foi o relator no Senado.

“Blumenau é a primeira cidade de Santa Catarina que ostenta o título de capital brasileira. Projetos dessa natureza muitas vezes não vão para frente no Congresso porque sempre há outra cidade no país que também deseja o título e possui um deputado representante para lutar contra. No caso de Blumenau, não houve essa resistência. Existem outros polos cervejeiros no país, mas foi consenso que a nossa cidade é a Capital da Cerveja”, afirma Lima.

A campanha “Blumenau Capital Brasileira da Cerveja” comentada por Stodieck foi lançada em 2016 e apresenta o ano de 1860 na logomarca, uma alusão ao ano em que foi fundada a primeira cervejaria na cidade. A cidade chegou a ter mais de 10 cervejarias no final do século XIX, um mercado que sumiu na segunda metade do século XX e retomou a partir de 2002 com a Eisenbahn, hoje pertencente ao Grupo Heineken. Hoje, há oito cervejarias na cidade e mais de 15 em toda a região.

Economia e empregos

A proposta de turismo o ano inteiro a partir da cerveja e gastronomia, afirmava pelo secretário Ricardo Stodieck, é cada vez mais a realidade. O Festival Brasileiro da Cerveja já é o maior do país, assim com o concurso realizado dias antes. A rede hoteleira atua no limite da capacidade para esta semana e a cidade acaba de firmar uma parceria para um evento internacional do setor a partir de 2019.

O secretário afirma que não há como mensurar em números o tamanho do turismo no PIB da cidade, mas que o setor apresenta ascensão mesmo em um período de crise econômica nacional. “A taxa de ocupação dos hotéis não caiu nem com a crise. Se muitos deixaram de se hospedar por negócios, aumentou os que ocupam os hotéis para fins turísticos. A rede Slaviero reformou o Hotel Rex, o antigo Viena irá reabrir em agosto. Não houve aumento de demissões, algumas empresas envolvidas no setor aumentaram o quadro de funcionários nesse período. Há mais investidores querendo produzir cerveja na cidade. Querem produzir com a marca ‘Made in Blumenau'”, explica o secretário.

Comitiva de Blumenau durante a sanção da lei em Brasília. FOTO: Antonio Cruz/Agência Brasil

Novos investimentos

A sanção da lei em Brasília é vista com bons olhos no mercado. A Associação das Micro Cervejarias Artesanais de Santa Catarina (Acasc) comemora o reconhecimento e defende novos investimentos no setor para explorar ainda mais o turismo cervejeiro no município.

“O título de Capital Brasileira da Cerveja coloca Blumenau nos holofotes, fazendo a cidade entrar no radar do turismo também com esse produto. Mas é preciso desenvolver mais atrações do que apenas as cervejarias. Tem que ter pubs, tem que ter restaurantes, museus, tudo que possa agregar valor para o turista”, comenta Carlo Lapolli, presidente da Acasc.

O Blumenau e Vale Europeu Convention & Visitors Bureau, entidade que atua no fomento do turismo desde 1991, também defende novos investimentos no setor. Para o presidente da entidade, Valmir Zanetti, é preciso investir na qualificação em diversas áreas.

“Qualificação tem que ser a prioridade. As empresas qualificarem o seu produto, o seu atendimento. Melhorar a qualificação dos profissionais que atuam no setor. E o poder público precisa atuar também, principalmente na infraestrutura. Um transporte coletivo melhor, uma mobilidade dentro da cidade e nos seus acessos. Precisamos da duplicação da BR-470. Para chamar mais turistas, temos que melhorar as condições para eles virem do aeroporto até a cidade”, declara.

Centro de Convenções

Questionado sobre futuros investimentos para o turismo, o secretário Ricardo Stodieck defendeu o projeto de um centro de convenções para a cidade. O projeto já está pronto e contempla uma área de 3,2 mil metros quadrados em cima do Setor 3 e atrás do Parque Vila Germânica. A ideia é ter quatro auditórios e buscar eventos de médio porte. A Prefeitura trabalha na captação de R$ 15 milhões para viabilizar o projeto.

 

Jornalista, editor do Cidade Plural