18/setembro/2018

Frohshinn continua fechado quatro anos após incêndio

Imóvel já foi recuperado, mas primeiro edital para ocupação não teve interessados. Prefeitura adiou e ainda não publicou novo edital


redacao@cidadeplural.com.br
FOTO: Blog do Jaime

Um prédio com quase 50 anos de história e um terreno que já pertenceu a Doutor Blumenau e que possui uma das melhores vistas de Blumenau continua fechado e sem previsão para ser reaberto. A Prefeitura de Blumenau ainda não sabe como irá alugar o imóvel onde funcionou o Restaurante Frohsinn no Morro do Aipim, fechado há seis anos. Há quatro anos, o prédio foi destruído em um incêndio criminoso segundo laudo do Instituto Geral de Perícias de Blumenau. Até hoje, não se sabe quem colocou fogo no local.

A reconstrução do prédio foi anunciada pela Prefeitura logo após o incêndio e os recursos vieram do seguro do imóvel. O primeiro edital, lançado em dezembro de 2017, não teve nenhuma proposta até 26 de fevereiro, data limite para abertura dos envelopes. Na época, o secretário de Turismo e presidente do Parque Vila Germânica, Ricardo Stodieck, chegou a levar empresários do ramo cervejeiro para conhecer a estrutura reformada. Porém, mais uma vez, não interessou a nenhum deles.

Após ter a expectativa abalada por nenhuma proposta apresentada, a Prefeitura voltou a estudar as condições do edital, para propor novamente. A ideia era relançar em abril, mas o executivo vem prorrogando este prazo desde então.

Conforme a licitação, quem oferecesse a maior oferta ganharia a concorrência. O poder público exigia que o investidor voltasse a oferecer um cardápio com pratos típicos alemães. Não seria permitido churrascaria, pizzaria ou lanchonete.

Quem vencesse a licitação, conforme divulgado no Informe Blumenau, tem que investir cerca de R$ 700 mil para finalizar a parte elétrica, hidráulica e fazer cozinha no prédio reconstruído. O aluguel mensal de R$ 12 mil seria abatido até chegar a este valor. Além de uma cervejaria e pratos típicos no cardápio, o novo empreendimento tem que garantir o acesso ao mirante de forma gratuita ao público, mesmo que não estejam no restaurante.

A exigência de acesso público ao mirante entrou na pauta no início de 2014, quando a Prefeitura cogitou vender o imóvel ao invés de alugar. Entidades como o Conselho Municipal de Política Cultural se manifestaram contra a venda e um dos principais argumentos era que em uma venda, o novo proprietário poderia fechá-lo para o público, caso quisesse. A Prefeitura, através do secretário Stodieck e do então prefeito Napoleão Bernardes, sempre se posicionaram em manter o mirante público e que o imóvel tivesse a destinação turística.

Em junho, o Cidade Plural mostrou também que a licitação para a construção do Mercado Público também estava atrasada. Na época, Ricardo Stodieck havia dito que “o projeto deve ir para a pauta da secretaria após o lançamento do edital para ocupação do prédio onde funcionou o restaurante Frohsinn, cuja previsão do executivo é lançar em duas semanas”.

Desde lá, O Cidade Plural vem acompanhando e cobrando respostas do poder municipal. Nesta semana, procuramos novamente a assessoria de imprensa do secretário e a nova expectativa para lançamento do edital é “em algumas semanas”.

Vamo Siuní

Antes mesmo do incêndio, o imóvel foi assunto polêmico na cidade. Fechado desde 2012, o Frohsinn foi escolhido pelo movimento Vamo Siuní para um evento em setembro de 2013. O movimento já tinha realizado encontros culturais na Prainha, também abandonada e propôs um evento cultural que teria também a missão de mobilizar pessoas para limpar o terreno do Frohshinn. No mês seguinte ao encontro, a Prefeitura decidiu fechar com tapumes o acesso ao terreno. O argumento é que o local estava sendo utilizado para fumo e álcool em outros dias, o que irritou moradores próximos.

LINHA DO TEMPO

Foto do Grupo Antigamente Blumenau – Ano de 1975 – postada por Marcos Röck

1969 – Inauguração do imóvel no Morro do Aipim como restaurante

2003 – Um novo edital para ocupação do espaço é lançado pelo poder público. O vencedor seria isento de aluguel mas precisaria fazer o calçamento da rua de acesso ao local. Novo locador assumiu no ano seguinte.

2010 – Prefeitura rescinde com o locatário e pede reintegração de posse na Justiça. O motivo é o não cumprimento do contrato.

2013 – Um ano após o restaurante fechado, Justiça dá ganho de causa a Prefeitura. Imóvel retorna ao poder público.

Vamo Siuní no Frohsinn. FOTO: Blog do Jaime

Setembro de 2013 – Coletivo Vamo Siuní promove um evento na área em volta do antigo restaurente, com o objetivo também de fazer uma limpeza no local.

Outubro de 2013 – Alegando questões de segurança, Prefeitura isola o local com tapumes. Decisão é criticada pelo movimento Vamo Siuní.

Janeiro 2014 – Secretário de Turismo, Ricardo Stodieck cogita a ideia do Executivo de privatizar o imóvel. Conselho Municipal de Política Cultural é o primeiro a se manifestar contra e propõe que o espaço seja utilizado pela Cultura.

Frohshinn em chamas. FOTO: Blog do Jaime

Fevereiro a Abril de 2014 – Prefeitura consulta outros conselhos e recebe pareceres favoráveis a venda.

Maio de 2014 – Prefeitura afirma que vai discutir o assunto com a sociedade, mas que tem preferência pela venda do imóvel, com a condição de se manter para fins turísticos.

20 de agosto de 2014 – Incêndio destrói o imóvel

Setembro de 2014 – Prefeitura anuncia que o imóvel será reconstruído com recursos do seguro existente.

Junho de 2015 – Inicia a reforma do imóvel

Dezembro de 2017 – Prefeitura lança edital para ocupação do espaço como aluguel e não mais como venda.

Fevereiro de 2018 – Nenhuma empresa se manifesta no edital. Prefeitura decide refazer o edital.

Setembro de 2018 – Edital ainda não foi lançado

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