A Feirinha que movimenta uma nova economia

10 de dezembro de 2016
Redação Cidade Plural

A relação da analista de Marketing Ana Paula Corrêa com os quitutes começou há alguns anos dentro da empresa onde trabalhava. Preparando pequenas refeições como empadões e pastelões, ela teve o talento culinário aprovado pelos amigos algo que a encorajou participar da Feirinha da Servidão Wollstein. Ela chegou a ficar um tempo desempregada mas teve no sucesso do seu estande na Feirinha uma renda fundamental no tempo da crise. O evento, que completa três anos agora em dezembro, ampliou o número de participantes e estabelece cada vez mais como uma economia alternativa na cidade.

“Eu fiquei oito meses fora do mercado formal de trabalho, e tive a feirinha como meu principal faturamento do mês. Hoje voltei a ter uma atividade remunerada, a venda na feirinha é um complemento do orçamento, mas tem muita gente vivendo de feirinha, dependendo dessas vendas para o sustento da casa e da família”, comenta Ana Paula, que pretende levar formalizar seu estande dos quitutes e ir além das participações na Servidão Wollstein e outras feirinhas.

O fortalecimento de eventos como a Feirinha na economia criativa é vista com bons olhos pela Prefeitura de Blumenau. O secretário de Desenvolvimento Econômico Marcos Inácio Ruediger conta que na reformulação do Plano Diretor do Município vai ser inserida uma diretriz para incentivar o desenvolvimento da economia criativa.

“Vemos com bons olhos o crescimento da Feirinha da Servidão Wollstein , que a primeira vista, aparenta gerar apenas renda, mas que, por meio da criatividade pode transformar o sistema produtivo”, comenta Ruediger.

Professor da Furb e ex-diretor da Secretaria Nacional de Economia Solidária do governo federal, Valmor Schiochet visitou a Feirinha pela primeira vez nesse ano e já é um defensor do evento. Defensor da “produção artesanal”, ele acredita que a feira possui condições para avançar em termos orgnizativos para se tornar uma economia solidária.

Tenho defendido que temos uma importante forma de produção artesanal que está se expandido no interior da economia do capital. A produção artesanal gera renda para muitas pessoas, preserva sua autonomia e potencialidade criativa. Outro elemento muito importante é a ocupação do espaço público e a ampliação da concepção de mercado. mais do que simples espaço de compra e venda mercado como um espaço de trocas socioculturais, torca de saberes, troca de experiências. A feirinha constitui-se num espaço de sociabilidade”, explica Schiochet.

LEIA TAMBÉM – FEIRINHA TRÊS ANOS