Vereadores: deixem a Fundação Cultural em paz

27 de junho de 2017

Jornalista, editor do Cidade Plural
Fundação Cultural
Sede da Fundação Cultural

As discussões sobre a sede ideal da Câmara de Vereadores de Blumenau é antiga. Até 2013, o Poder Legislativo funcionava junto ao Poder Executivo, o que não é nada bom. É sim, importante que a separação entre os poderes seja também física, O Executivo ser o administrador do prédio onde funciona o Legislativo abre brechas para uma interferência de poderes.

A mudança de sede para a Alameda Duque de Caxias me 2013 foi cercada de polêmica. Trata-se de um aluguel na faixa de R$ 60 mil por mês para um prédio ruim. O espaço interno não é tão grande quanto se imagina pelo lado de fora e o plenário é pequeno, ruim, bem pior que o anterior. Por essas e outras, o “sonho da casa própria” do Legislativo continuou na pauta.

Até aí, tudo bem. Sou favorável a construção ou aquisição de uma sede própria. O problema são as ideias que os vereadores andam pensando. A ideia da vez é utilizar o prédio da Fundação Cultural de Blumenau. Uma proposta tão absurda que precisa ser derrubada antes que eles se empolguem com isso.

A Câmara de Vereadores tem dinheiro para construir um prédio novo. E a Prefeitura já ofereceu terrenos para eles. Mas ao invés disso, pensam agora em ocupar um prédio já utilizado pelo poder público. Pior, um prédio que está a serviço da Cultura, o primo pobre em qualquer administração no paí.

Além de desalojar o setor cultural de um prédio no qual já está bastante identificado, os vereadores querem estragar a estrutura verticalizando a edificação histórica (antiga sede do Município), correndo um sério risco de descaracterização.

Fica a pergunta para os vereadores: se a Câmara for para a antiga Prefeitura, a Fundação vai para onde? O Executivo construirá uma sede nova ou a Cultura vai viver de improvisos? Alguém realmente acredita que a Fundação vai ganhar um lugar melhor depois?

O prédio atual tem vários problemas, é verdade, começando pelo telhado que só agora teve uma solução. Mas ele faz parte do Centro Histórico, deve ser mantido para a Cultura, para a preservação da história. O que a Fundação precisa hoje não é de um novo local e sim de um prédio complementar para o arquivo histórico, cujo projeto foi aprovado na Lei Rouanet, mas não captação de recursos suficiente para iniciar a obra.

O setor cultural costuma apanhar em qualquer administração pública. É bom a classe ficar atenta e iniciar uma campanha para demover a ideia dos vereadores o mais rápido possível, sob o risco de ver o setor jogado as traças na cidade, sem uma sede de verdade.