A Alemanha sem passaporte e a Odebrecht

18 de abril de 2017

Jornalista, editor do Cidade Plural

Blumenau – Alemanha sem Passaporte. A infeliz campanha de promoção da cidade, lançada um mês após o 7 x 1 em 2014, virou motivo de piada, com a expressão sendo utilizada de forma depreciativa. Virou piada devido a grosseria, ao exagero, mas campanhas enaltecendo a cidade, colocando-a como uma Europa brasileira não é novidade. Blumenau sempre se considerou superior ao Brasil como um todo, uma verdadeira Alemanha. E foi uma empresa com sobrenome alemão, com raízes na cidade, que deu um choque de realidade nos últimos dias. Não somos tudo aquilo que pensamos.

Vamos por partes: este artigo não pretende acusar os políticos blumenauenses integrantes da “Lista do Fachin”. Eles não foram ainda acusados: apenas foi autorizado a abertura de inquérito após os nomes serem citados em delação. Os desdobramentos políticos estão sendo muito bem analisados no Informe Blumenau. A ideia aqui é falar da gente, de todos na cidade.

Sendo verdade ou não o que os delatores disseram, o caso traz o blumenauense de volta a realidade. Não somos a Europa, não somos a Alemanha. Somos o Brasil, como qualquer outra cidade, e podemos ter políticos envolvidos em escândalos graves de corrupção. E não apenas de um lado, já que a delação envolveu “os três lados da política blumenauense”.

Somo uma cidade de mortais, humanos que erram, de problemas. Temos um número alto de pessoas vivendo em favelas (o mais alto do Estado segundo o Censo 2010, um número contestado por especialistas), temos casos graves de racismo, misoginia e homofobia, não aprendemos com as enchentes e continuamos a fazer aterros e construções em locais inadequados, entre outros problemas. Por que não teríamos políticos envolvidos em maracutaias?

Temos muitas qualidades, muitos positivos a destacar na cidade. O Cidade Plural foi criado para isso, para conectar pessoas que agem em prol de uma cidade melhor, por isso falamos mais em arte, cultura, eventos. Devemos ressaltar o que fazemos de melhor, mas com moderação.

Na próxima vez que você for criticar alguma cidade, estado ou toda a região nordestina, por exemplo, lembre-se dos nossos defeitos. Quem não é partidário deve torcer para que as acusações feitas sejam erradas, seria melhor se ninguém estivesse envolvido. Porém, nos preparamos para o pior, pois estamos sujeitos a isso.

A delação não prova nada, mas indica: Blumenau não é melhor que ninguém

Jornalista, editor do Cidade Plural