Como tornar a produção cultural sustentável?

26 de Abril de 2016

postagem_diego

Começando os trabalhos por aqui, me apresento rapidamente para que possamos nos conhecer melhor. Sou produtor cultural há cerca de sete anos, atuando em Rio do Sul e região do alto vale, e radicado há seis meses em Blumenau. Com foco na música, no colaborativismo e no desenvolvimento do cenário independente regional, trabalhei na produção de mais de 150 eventos musicais, além de festivais de audiovisual, principalmente em minha cidade natal. Fui eleito o primeiro Conselheiro Municipal de Políticas Culturais da setorial de música, entre 2014 e 2016, após a primeira Conferência Municipal de Cultura de Rio do Sul. Atualmente, busco conhecer o cenário artístico de Blumenau e me integrar aos movimentos, com o objetivo de contribuir com esse setor que tanto tem a crescer.

Falando nisso, só estando inserido nesse mercado da cultura para realmente entender a dimensão e o potencial dele. Há muito discutimos a questão de que arte já não é somente entretenimento, é mercado. Porém essa visão precisa ser compartilhada por produtores, críticos, veículos de comunicação, público e, principalmente, pelos artistas. Precisamos desmistificar o significado desse termo que, ao ser ouvido, já remete ao que nos é imposto pelo atual sistema político-econômico: jogo de poder para ver quem lucra mais.

Há cerca de dez anos, vem-se desenhando novas possibilidades para os fazedores de cultura brasileiros resultado de políticas públicas, do Ministério da Cultura, pensadas no desenvolvimento do setor: ampliação dos Pontos e Pontões de Cultura, maior diversidade de editais públicos, suporte para a implantação dos Sistemas Municipais de Cultura em todo o país, definição das 53 metas do Plano Nacional de Cultura a serem realizadas até 2020, descentralização das reuniões do Conselho Nacional de Incentivo à Cultura, além de uma forte aproximação do MinC com o povo através das redes sociais.

No meio disso tudo, temos vários pontos conturbados, como a famosa Lei Rouanet, uma das grandes incentivadoras da produção cultural brasileira mas que tem vários pontos a serem reformados. Bom, isso é assunto para outro momento.

Voltando à questão de entendermos o mercado, caímos na realidade local. As políticas públicas para a cultura, na grande maioria das cidades, é insuficiente. Ela existe, mas não entende as reais necessidades do setor cultural, que também não abre diálogo para se fazer entender. Entre conquistar espaço e apoio do poder público ou produzir de maneira independente, opta-se por arregaçar as mangas e fazer acontecer. Aí entra o grande ponto: como tornar esse trabalho, muitas vezes nem reconhecido como tal, sustentável? É preciso que enxerguemos isso de maneira empreendedora. Oras, o artista produz seu produto e/ou bem cultural e precisa divulgá-lo, precisa vendê-lo, pelo bem e pelo desenvolvimento social e, também, para sua sobrevivência e de sua arte.

Como tudo isso é muito novo, quem assume essa postura precisa abrir os caminhos para começar e continuar nessa empreitada, com ajuda, estudo e muita troca de ideia com outras pessoas que fizeram a mesma escolha. O velho ditado diz “a união faz a força” e já provamos que isso é real. O passo que precisamos dar é em direção à organização desse mercado emergente, que tem muita gente e poucos profissionais. A partir do momento que reconhecermos isso e nos entendermos dentro desse processo, vamos conseguir trabalhar em busca de objetivos comuns, trabalhando de forma integrada e distribuída, otimizando os resultados e quebrando velhos paradigmas.