Opinião: Como Blumenau pode ser mais Colmeia?

28 de agosto de 2017

Jornalista, editor do Cidade Plural
FOTO: Ana Paula Dahlke

Qual cidade no mundo possui um evento com mais de 140 atrações artísticas, todas gratuitas para o público, promovidas em um espaço nobre como o Teatro Carlos Gomes e que seja feito pela comunidade artística unida, sem a dependência do Poder Público ou de algum apoiador privado?

Quando é que nós podemos ver o hip hop, voz expressiva de uma sociedade em sua maioria marginalizada, utilizando o salão de festas que normalmente é utilizado pelas classes mais altas?

Qual outro exemplo podemos dar de um evento que mistura todas as artes, inúmeras culturas, com atrações para crianças, jovens, adultos e idosos? Com 26 horas de programação sem nenhum custo?

Temos uma joia em nossas mãos, algo para termos orgulho de Blumenau chamado Colmeia. Uma impressionante união da classe artística, surgida em 2009 como um protesto ao descaso com as políticas públicas para a cultura (que deu origem ao Nosso Inverno) que ganhou o nome de Colmeia em 2012 com um visionário anarquista como mentor (Clóvis Truppel) e que, após seis edições, teve diversas mudanças entre os participantes e moderadores, mas jamais perdeu a essência.

A edição desse ano foi novamente um sucesso, com destaque para a organização, que funcionou perfeitamente. Mas uma pergunta muitos fizeram durante o final de semana: e no resto do ano? O Colmeia só existe para um final de semana?

Como o Colmeia pode atuar durante o ano inteiro?

Toda essa riqueza, a diversidade cultura, a união da classe artística, esses ganhos não podem se limitar a um final de semana. Se durante dois dias a cidade faz algo que poucos lugares no mundo possuem, é certo que precisamos contaminar os demais dias do ano. Mas ainda não sabemos como

Blumenau precisa ser mais Colmeia

A edição deste ano acabou às 23h, quando ainda havia um grande público no Teatro Carlos Gomes. Com as portas do Salão Centenário fechadas, o público ficou na praça e demorou para sair. Era uma massa de pessoas que apreciou o Colmeia e estava disposta a continuar lá (e teve até apresentação do projeto Um-Banda).

Se tanta gente vai no Colmeia, onde estão essas pessoas ao longo do ano? Não se interessam ou não sabem o que acontece nos outros dias? Porque os próprios artistas se afastam depois? Porque a mistura não ocorre fora do Carlos Gomes?

O Colmeia está mais que consolidado. E não importa quais serão as abelhas, a colmeia será a mesma. O desafio agora é dar um passo adiante. Tornar o espírito do Colmeia permanente. É preciso que essa união da classe artística se transforme em uma rede. Uma rede que se organize, promove, apoie, vive e respire a cidade de forma conjunta.

Fica um desafio para todas as abelhas – artistas e público: vamos fazer com que Blumenau seja mais Colmeia?