04/agosto/2018

“O Colmeia somos nós”, já dizia Clóvis Truppel

Os cantos abandonados pelo poder público eram a tela favorita de Risco

Já dizia ele em uma rede social que “o Colmeia não é uma Virada Cultural. É um evento para mostrar a produção local e da região. Não movimentamos dinheiro em espécie, apenas movemos talentos. O Colmeia somos nós!”.

Clóvis Truppel. Arquivo Pessoal.

Símbolo e inspiração eterna do movimento, Clóvis Truppel, conhecido como Risco, artista e ativista político e social, de Blumenau, foi o idealizador do Coletivo Multicultural de Experimentações e Intervenções Artísticas (Colmeia), junto a tantos outros da classe artística, que iniciou em 2012.

Desde lá, o evento gratuito ocorre anualmente no Teatro Carlos Gomes, e em 2018, nos dias 25 e 26 de agosto, registra sua sétima edição.

Composto por pessoas de vários segmentos da produção artística e cultural da cidade, o coletivo reúne os seguintes grupos de trabalho: artes cênicas, artesanato, artes visuais, cinema, culinária, dança, hip hop, literatura, música e oficinas.

A parceria entre o teatro, que cede as dependências e a estrutura sem custos, e os artistas que cedem a sua produção, foi firmada no dia 25 de junho de 2012.

A partir disso, a comunidade tem acesso ao movimento cultural sem cobrança de ingressos.

Antes mesmo dos dois dias intensos de intervenção cultural, os moderadores, que voluntariamente organizam, fazem reuniões mensais, sempre discutindo de forma coletiva tudo o que engloba o evento.

Além disso, não por coincidência que leva o nome do coletivo, o Colmeia organiza polinizações com a ideia de descentralizar e divulgar os artistas de vários bairros de Blumenau também. Então, no decorrer do ano, são feitos eventos de menores proporções para divulgar o coletivo e os artistas que o compõe, sempre gratuitos.

Na carta do Colmeia, que reforça o compromisso do coletivo, o ponto crucial é “fomentar a arte e ampliar a rede de contatos entre artistas, público, equipamentos e instituições culturais, promovendo o protagonismo e a autonomia na classe cultural”.

Os cantos abandonados pelo poder público eram a tela favorita de Risco. Ele que defendia desde o plantio de árvores até a ocupação cultural do Restaurante Frohsinn, que foi incendiado há quatro anos, nos deixa esse esse legado, e infelizmente sofreu uma parada cardíaca, que acarretou na sua morte em 2014.

Intervenção do VamoSiuní, também teve como um dos idealizadores o Clóvis Truppel. Foto: Por gentileza, Blumenau

“Era um artista muito direto e coeso. Ia lá e fazia. Eu lembro dele falando no Frohsinn ao redor de uma fogueira sobre a ocupação do espaço público, especulação imobiliária, por exemplo”, diz o poeta político, Ramon Lima, também moderador do GT Literatura.

 

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