05/Abril/2018

Exposição sobre “Schindler brasileiro” chega ao Mausoléu Dr. Blumenau

“Quixote nas Trevas” revela a história do embaixador Souza Dantas, que durante a Segunda Guerra salvou centenas de judeus emitindo vistos ilegalmente em Vichy, na França


Jornalista e fotógrafo - www.leolaps.com
(Reprodução: The International Raoul Wallenberg Foundation)
O embaixador Souza Dantas (centro) ao lado de Getúlio Vargas, presidente do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial (Reprodução: The International Raoul Wallenberg Foundation)

Em 1993, o filme “A Lista de Schindler” comoveu o mundo ao contar a história de um empresário alemão que salvou mais de mil judeus durante o Holocausto empregando-os em sua fábrica em Cracóvia, na Polônia.

Oskar Schindler não estava sozinho: havia mais pessoas dispostas a ajudar seres humanos a escapar da barbárie promovida por Adolf Hitler na Europa durante os anos 1930 e 1940. Um deles foi o embaixador brasileiro Luiz Martins de Souza Dantas, tema de uma exposição que abre nesta sexta-feira (6 de abril) no Mausoléu Dr. Blumenau.

Considerado um “Schindler brasileiro” pela Fundação Internacional Raoul Wallenberg, ONG especializada nos crimes do Holocausto, Souza Dantas foi embaixador do Brasil na França em Vichy entre 1922 e 1944. Percebendo o risco de vida que os judeus da região estavam correndo com a invasão nazista, ignorou ordens expressas do presidente Getúlio Vargas e emitiu, entre junho de 1940 e janeiro de 1941, mais de mil vistos ilegais para tirar essas pessoas do continente europeu.

Ignorada pelos conterrâneos, a história de Souza Dantas foi resgatada pelo historiador Fabio Koifman, que em 2002 transformou sua tese de Mestrado no livro “Quixote nas Trevas: o embaixador Souza Dantas e os refugiados do nazismo”. A pesquisa, que já identificou quase 500 vistos emitidos pelo embaixador, serve de base para a exposição que ocorre através do Consulado Honorário da Áustria em Blumenau em parceria com a Casa Stefan Zweig e a produtora independente Telenews, e com apoio da Fundação Cultural de Blumenau.

Souza Dantas morreu em 1954 em Paris, aos 78 anos. Em 2003, foi reconhecido como “Um Justo entre as Nações” pelo Museu do Holocausto de Jerusalém. Este ano, a história resgatada por Koifman virou documentário: “Querido Embaixador”, dirigido por Luiz Fernando Goulart, acaba de ser lançado pela Globo Filmes.

Passaporte com visto emitido por Souza Dantas durante a Segunda Guerra Mundial (Reprodução: The International Raoul Wallenberg Foundation)
Passaporte com visto emitido por Souza Dantas durante a Segunda Guerra Mundial (Reprodução: The International Raoul Wallenberg Foundation)

SERVIÇO
A exposição “Souza Dantas: Quixote nas Trevas” fica no Mausoléu até 6 de maio, quando então deve rumar para outras cidades catarinenses. O Mausoléu Dr. Blumenau fica na Rua XV de Novembro, 161, no Centro Histórico de Blumenau. Abre todos os dias, das 10h às 16h, com entrada gratuita. Informações: (47) 3326 7514.

Leo Laps
Jornalista e fotógrafo - www.leolaps.com

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