Moção de Repúdio aos vereadores de Blumenau

25 de outubro de 2017

Jornalista, editor do Cidade Plural

Foto: Renan Olaz | Agência CamaraBlu

A Câmara de Vereadores de Blumenau aprovou uma moção de repúdio a uma mostra de cinema da Escola Elza Pacheco por causa de dois dias de palestras que ocorrerão junto a mostra. O motivo: as palestras abordarão diversidade: religiosa, étnica, cultural e sexual. O Cidade Plural propõe, então, uma Moção de Repúdio aos vereadores de Blumenau.

É importante destacar: a moção teve os votos contrários de Bruno Cunha (PSB), Gilson de Souza (PSD) e Ito (PR), que serão poupados neste texto. Um vereador se absteve (comento no fim) e os demais aprovaram o documentos. Vamos aos fatos:

Trata-se de uma mostra de cinema organizada pela escola junto aos alunos (que são do ENSINO MÉDIO, 14 a 18 anos). Foram os alunos que escolheram diversidade como tema, algo que há muito tempo entra no debate dos adolescentes. O assunto já era abordado, por exemplo, no Ensino Médio do final dos anos 90 e início dos anos 2000.

O evento não deveria causas estranhezas. Palestras para adolescentes discutindo sexualidade e intolerância é algo normal, uma obviedade. Na verdade, nós precisaríamos de mais eventos assim, ou melhor, com maior eficiência visto que a intolerância continua sendo regra na sociedade.

Mas os tempos atuais, com a Rede Globo colocando transexualidade na novela das 9, fez com que as forças feudalistas se mexessem. Sentindo a derrota, eles começaram a fazer campanhas no país inteiro, com um discurso fundamentalista, paranoico, vendo o “inimigo” em qualquer canto.

Para os fundamentalistas, tudo que envolve sexualidade, liberdade de expressão, direitos de minorias é algo a ser atacado. Diversidade sexual para eles é “ideologia de gênero”, como as questões de gênero pudessem ser discutidas por um viés ideológico. Para piorar, eles aproveitaram a crise no governo do PT para dizer que as pautas da diversidade seriam de esquerda, petistas, etc.

Um adendo na questão política. Defender diversidade não é algo exclusivo da esquerda. Você pode ser liberal, de direita, pró livre mercado e defender a diversidade – faz todo sentido. Na Europa até os conservadores defendem a diversidade.

Mas esse grupo, que chamo de feudalistas por respeito aos conservadores de verdade, não pode ouvir a palavra diversidade que enlouquece. E foi o que aconteceu agora em Blumenau, com o evento da Elza Pacheco.

Para piorar, a Câmara de Vereadores foi surfar na onda e decidiu fazer um agrado a eles, aprovando a moção de repúdio. Uma moção não serve para nada, não impede e nem altera o evento. É apenas um barulho em nome da Casa de Leis. A moção serve apenas para agitar os fundamentalistas e encorajar eles a incomodarem quem pensa diferente.

Um legislativo de baixa produtividade, que foge de CPI’s, que funciona normalmente como um programa de talk show de rádio AM, com vereadores mandando abraços para os amigos na tribuna, resolveu ser notícia novamente fazendo bobagem. E vale destacar:

  • De alguns vereadores, nada se espera. Então a votação em favor do repúdio é normal.
  • De outros, a posição favorável decepciona e muito. É o caso do líder do governo, Sylvio Zimmermann Neto (PSDB).
  • Parabéns aos três vereadores que votaram contra, especialmente para Ito (PR) cuja base eleitoral é bem diferente da base de Bruno Cunha (PSB), por exemplo.
  • Adriano Pereira (PT) se absteve. Como algum vereador pode não ter uma posição formada sobre uma moção dessa? me cheira covardia.

Jornalista, editor do Cidade Plural