Mais ações, menos palavras de efeito

13 de dezembro de 2017

Jornalista e professor da Furb. Escreve nas quartas-feiras.
Foto: Divulgação

Trafegando todos os dias pela BR-470 tenho me questionado sobre como nossa falta de participação política e de comprometimento com o voto, expressão máxima de cidadania, prejudicam a construção de uma sociedade melhor, de uma cidade melhor, de um país melhor.

Escrevo isso porque não consigo acreditar, por mais que tente e queira, no efeito prático dos outdoors distribuídos pela rodovia, segundo os quais “Sem duplicação não tem reeleição”.

Não sei se é minha falta de fé nos homens ou na política, mas tenho certeza de que a BR-470 não será concluída até outubro de 2018 e que muitos políticos que jogaram para a torcida na assinatura da ordem de serviço, no já distante ano de 2013, estarão dando as cartas por aí novamente a partir de 2019.

A duplicação desta importante rodovia está na agenda desde pelo menos a década de 1970.

Era uma das principais ações do governo Médici (1970-1974) para Santa Catarina, passou a ser prioridade de Ernesto Geisel (1974-1978) e foi incluída no Plano de Aceleração do Crescimento da então presidenta Dilma em 2011.

Lá se vão mais de 40 anos e nada de conclusão da obra que, pelo que vemos diariamente, ainda deve se arrastar por pelo menos mais cinco anos.

Enquanto isso, os responsáveis por esta interminável bandeira caça-votos continuarão sendo eleitos e reeleitos, seu desempenho político seguirá inquestionável e nós, contribuintes, continuaremos a enfrentar as filas, acidentes e transtornos desse calvário sem fim.

Antigamente, políticos deixavam legado. Hoje, deixam dívidas e rastros de má administração e mau uso do dinheiro público.

Blumenau tem um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de 16,7 bilhões de reais. É uma economia em crescimento, mesmo em período de recessão.

Possui uma Universidade de importância regional, a Furb, diversas empresas do ramo têxtil e metal-mecânico, cerca de 348 mil habitantes, de acordo com o último senso do IBGE, e a atenção dada é como se fosse uma cidade qualquer, lá no fim do mapa, escondida e sem relevância regional alguma.

Falta representação política? Não acredito. Temos deputados federais, deputados estaduais a falar por nós há décadas.

Somos uma cidade fora do eixo do desenvolvimento estadual e nacional? Com certeza, não.

Talvez não estejamos trabalhando organizadamente, então?

Ou quem sabe não somos conhecidos estadual e nacionalmente?

Não e não.

O que nos falta é uma cultura democrática que puna rigorosamente políticos que legislam e administram em causa própria e que não estão focados no crescimento e desenvolvimento da cidade como um todo.

Falta-nos coragem para mudar, nos falta audácia, ousadia para investir no novo.

Votamos nas mesmas famílias germânicas, ordeiras e trabalhadoras, mas não cobramos resultados quando a riqueza que produzimos não é devidamente distribuída aos nossos cidadãos.

Orgulhamo-nos da maior festa alemã do Brasil, mas não nos envergonhamos da pobreza, da má distribuição de renda e da pouca e efetiva presença de nossos representantes nas esferas estadual e federal.

O que nos falta, talvez, seja pensar localmente com um olhar mais crítico, mais questionador e menos condescendente.

Uma cidade plural começa pela circulação livre de mais ideias, mais iniciativas e menos conservadorismo.

Precisamos nos abrir para os novos tempos, arriscando mais e nos escondendo menos.

Precisamos de mais ações efetivas e menos palavras de efeito.

Jornalista e professor da Furb. Escreve nas quartas-feiras.