08/março/2016

Eu dispenso esta rosa, Eu quero Viver Segura!

Aline Cruz estreia no Cidade Plural falando do dia 8 de março


redacao@cidadeplural.com.br

Por Aline Cruz,

mulher

Estamos às vésperas de mais um dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, dia de luto e luta, em memória às operárias assassinadas, queimadas vivas quando ocupavam uma fábrica por melhores condições de trabalho, na cidade de Nova Iorque. E, novamente, às vésperas do Dia da Mulher ainda somos assassinadas, vendo o feminicídio mal expresso nas manchetes de jornais, tratados de maneira desonesta como crimes passionais. O feminicídio é caracterizado pelo assassinato de mulheres justamente pelo fato de “ser mulher”, onde o gênero é o motivo para se tirar uma vida. Esta desvalorização da vida das mulheres, esta falta de respeito com os nossos corpos e vivências são fatores que nos matam diariamente, reflexos de uma sociedade machista onde somos objetificadas, consideradas objetos e propriedades dentro de relações abusivas ou, até mesmo, por estranhos em todos os espaços que ocupamos.

A lei 13.104 prevê o feminicídio como homicídio qualificado e caracteriza – o como crime hediondo. Prestes a completar uma década de existência, a lei Maria da Penha cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar, abrangendo as violências de ordem psicológica, social e patrimonial, onde, após a queixa na Delegacia da Mulher, o magistrado tem o prazo de 48 horas para conceder proteção à vítima. Mesmo com estes avanços no código penal e na legislação, uma trabalhadora foi estrangulada com a própria peça íntima pelo seu ex-companheiro, esta vítima já tinha registrado boletim de ocorrência contra o assassino e temia, com razão, pela sua vida.

PARTICIPE DA MARCHA PELA VIDA DAS MULHERES

Mesmo com estes avanços, Delegacia de proteção à Mulher, abrigos mal divulgados, oura senhora foi assassinada, asfixiada e com golpes de marreta, pelo seu marido, o seu corpo, visto como um objeto sem valor, foi enterrado de maneira grotesca nos fundos de sua própria casa. Estes dois crimes brutais aconteceram no início deste ano, aqui em Blumenau. Só aqui em Blumenau já começamos 2016 com crimes brutais contra mulheres, eu poderia escrever muito mais relatando os crimes que aconteceram aqui na região ou no estado e, para piorar, colocar dados nacionais. Com grupos feministas ganhando voz na internet e nas ruas, com leis e aparato para denúncias, nós ainda estamos morrendo, sendo violentadas ou mutiladas. Qual o motivo da ineficácia das leis e delegacia de proteção à mulher?

O machismo está intrinsecamente presente na sociedade, o conceito de superioridade de gênero, instituído pelo patriarcado historicamente e o sexismo desvalorizam nossas vidas e calam nossas vozes em diversas esferas: desde às relações abusivas, às agressões e assédios de estranhos nos espaços, ao salário inferior que recebemos por exercer a mesma função que os homens, às ofensas sexistas e estéticas à uma mulher em cargo político e, no estado, pela constante descredibilização da nossa palavra nos espaços que deveriam nos acolher e proteger, o desestímulo que recebemos ao denunciar agressões, à violência obstétrica que as gestantes estão sujeitas.

Desta forma, gostaria de propor aos patrões, setores de marketing e rh que se esforcem pra sair destes clichês de Dia da Mulher: dar rosas, curso de maquiagem ou chocolates. Não reduzam nossas vidas à estereótipos, tenham a responsabilidade social com suas colaboradoras, quem sabe aquela funcionária que está calada, está passando por uma situação perigosa. Eu, há muitos anos, dispenso rosas neste dia e, no próximo dia 8 de Março, vou juntar a minha voz à de muitas mulheres: o Coletivo Feminista Casa da Mãe Joana vai realizar um protesto contra os últimos feminicídios ocorridos na região, vamos nos concentrar na Catedral São Paulo Apóstolo, às 19 horas e marchar rumo à Delegacia da Mulher, sem rosas, de preto, de luto e em luta.

8 de março – Marcha pela vida das mulheresPORQUE PRECISAMOS MARCHAR? (Dados Instituto Avon e Data Popular, 2014)

– 55% dos homens admitem ter xingado, empurrado, ameaçado, ter dado tapa, impedido de sair de casa, proibido de sair à noite, impedido o uso de determinada roupa, humilhado em público, obrigado a ter relações sexuais, entre outras agressões às parceiras;
– 48% dos homens acham errado a mulher sair sozinha com os amigos, sem a companhia do marido, namorado ou “ficante”;
– 43% dos jovens afirmaram já terem visto a mãe ser agredida pelo parceiro;
– 41% das pessoas entrevistadas conhecem alguém que foi violento com a parceira

Precisamos reconhecer o machismo da nossa sociedade e das nossas instituições para combatê-lo! Precisamos falar de gênero nas escolas, precisamos de ações que previnam e enfrentem todas as formas de violência, precisamos de delegacias da mulher e de abrigos com atendimento especializado!

Relatório completo da pesquisa: http://centralmulheres.com.br/data/avon/Pesquisa-Avon-Datapopular-2013.pdf

Publicado por Coletivo Feminista Casa da Mãe Joana em Sexta, 4 de março de 2016

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