Editorial: Perguntar antes faz bem

3 de novembro de 2017

Jornalista, editor do Cidade Plural

O vereador Almir Vieira (PP) apresentou um projeto de lei que proibia a exposição de artes em Blumenau com pornografia, que segundo o texto, era tipificado como ato sexual e nudez. Quando a classe artística preparava um protesto contra o vereador, ele conversou com o presidente da Fundação Cultural e decidiu retirar o projeto.

Por que retirou? Porque fez com atraso (mas antes tarde do que nunca) aquilo que todo parlamentar deveria fazer: ele conversou com alguém da área sobre o assunto. Perguntar, ir atrás, dar um googlada sobre o tema antes de escrever um projeto de lei, uma moção de repúdio ou outro ato parlamentar é algo que todos os vereadores e deputados deveriam fazer. Infelizmente, não é algo que faz parte da rotina de muitos dos nossos representantes e por isso passamos tanta vergonha.

O projeto que Vieira protocolou não era uma proposta conservadora. Tratava-se de um projeto populista, demagógico, inconstitucional. Tão ruim que ele mesmo retirou na primeira conversa que fez com alguém da área. Aprovo a atitude de admitir o erro e voltar atrás, mas faço a pergunta: por que não procurou a Fundação Cultural antes?

O caso não é único. Blumenau já teve projeto de lei para proibir a maionese caseira, uma proposta feita sem nenhum embasamento técnico. Recentemente tivemos a Moção de Repúdio a Escola Elza Pacheco por causa de uma mostra de cinema sobre diversidade. O autor, Marcos da Rosa (DEM), apresentou (e aprovou) sem conversar com os professores e alunos envolvidos. Agiu na ignorância, no senso comum, interpretando a diversidade de gênero como uma suposta catequização homossexual que eles chamam de ideologia de gênero.

Antes de escrever um projeto de lei, pergunte. Antes de fazer uma moção de repúdio, converse com aquele que você pretende repudiar. O diálogo não é apenas um meio de evolução da sociedade, mas também um mecanismo para não passar vergonha.

Termino este artigo desafiando os vereadores Marcos da Rosa e Ricardo Alba, autores de um projeto de lei que institui uma tal Escola Sem Partido. Vocês, vereadores, conversaram com a secretária de Educação sobre o assunto? E com o Conselho Municipal de Educação? Um oficial de Justiça e professor de Direito e um pastor evangélico deveriam procurar pedagogos, profissionais da área do ensino e seus representantes oficiais (conselho) antes de fazer um projeto desses, não?

Jornalista, editor do Cidade Plural