14/junho/2018

Análise: Ciro Gomes em Blumenau

Cidade Plural abre espaço para análises de futuros presidenciáveis do Brasil. Na estréia, Paulo Missefeldt analisa a palestra de Ciro Gomes em Blumenau


redacao@cidadeplural.com.br

Por Paulo Missefeldt, jornalista e acadêmico de direito

FOTO: Richard Ferrari

“Nada disso, podem perguntar à vontade”. Foi a primeira fala do presidenciável Ciro Gomes, ainda interrompendo a mestre de cerimônias do Diretório Acadêmico de Direito da Furb, Daclobe, que organizou a palestra e pretende trazer outros presidenciáveis a Blumenau.

Com 38 anos de vida pública e um rosto mais envelhecido do que nas aparições televisivas, Ciro Gomes fez o que se esperava de um candidato às vésperas de eleições: colecionou frases de efeito, ocupou as primeiras fileiras com partidários (que puxavam as palmas após cada frase de efeito), e fez parecer fáceis as soluções para um país economicamente destruído.

A economia, aliás, foi o foco da palestra, apesar do título “Desenvolvimento Econômico e Educação Pública”. Os poucos presentes, porque a universidade não tem sequer um auditório digno de sua relevância, acompanharam uma profunda análise econômica do país, apresentada em linguagem simples e acessível.

Ciro foi leve, mas incisivo em seus argumentos. Marcou território, sobretudo quando citava a “luta inglória” contra a mídia e o “baronato” que controla politicamente o país desde a invasão portuguesa.

Baseou sua apresentação em duas questões: a primeira, como chegamos a esse contexto econômico: “O Brasil vive um momento terrível, o Brasil quebrou”. A segunda, como resolver esse problema: “temos como resolver isso, mas ninguém vai resolver sozinho ou se isolando ideologicamente”.

Resumiu a causa dos problemas nacionais ao fato do governo provisório, pós-golpe, ter uma conta a pagar com os especuladores internacionais. Usou como referência a vinculação do preço dos combustíveis ao preço internacional. E explicou, em linguagem simples, a influência da variação cambial no cotidiano e nos investimentos.

O perfil de candidato ficou ainda mais evidente quando dedicou alguns minutos para falar do deputado carioca que lidera as pesquisas quando o povo não pode escolher o ex-presidente preso: “Ele é deputado há 26 anos, veio do Rio de Janeiro, onde o governador tá preso, o presidente da Assembleia tá preso, metade do Tribunal de Contas tá preso; ele nunca fez nada, nunca administrou um botequim dos pequenos, e quer governar um país com 207 milhões de habitantes na pior crise da sua história com frases feitas”, resume.

Ciro arrancou uma sequência de palmas, não só de seus asseclas, mas também dos estudantes e do público em geral quando citou que “a cadela do fascismo está por aí de novo, e ela sempre está no cio, doida pra parir”. Nas palmas, esboçou um dos poucos sorrisos: “eu achei que ia tomar vaia aqui”, comemorou. A próxima salva de palmas foi quando falou que “a mulher brasileira é que vai salvar, de novo, o Brasil”, referindo-se à rejeição feminina ao pré-candidato carioca.

O advogado cearense busca apresentar-se como uma alternativa de centro, tentando agregar quem se opõe ao lulopetismo e ao neoliberalismo. Apresenta uma proposta interessante, mas ousada, de usar referendos e plebiscitos quando os interesses da população estiverem ameaçados pelos parlamentares, patrocinados “pelos mesmos de sempre”.

O discurso é bem formulado. O desafio de Ciro nestas eleições é mostrar que tem algo diferenciado e que o tire da “velha política”, já eleita a grande vilã nas eleições de 2016 e que parece se repetir neste ano.

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