14/Maio/2018

Número de pessoas negras em Blumenau cai 20% em 7 anos

Possíveis causas que levaram a essa diminuição.


Editora do Cidade Plural/Estudante de Jornalismo na Furb

Um dado tanto interessante quanto preocupante para Blumenau. O número da população declarada negra (pardos e pretos) caiu.

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam uma queda de 20% em um intervalo de 7 anos.

Em 2010 Blumenau possuía uma população negra de 30.025 pessoas e 277.680 pessoas brancas.

Já em 2017 a população negra na cidade soma apenas 23.700 pessoas 324.813 pessoas brancas.

Literalmente, são menos 6.325 pessoas negras na cidade.

Conversei com três pessoas negras que nasceram ou vivem em Blumenau sobre o assunto, confira abaixo:

Luana Cristina Soares Limas, 33, executiva de vendas, natural de Blumenau, diz que não se sente representada em Blumenau, inclusive nos meios de comunicação:

“A maioria das publicações na mídia são com fotos de brancos, famílias brancas. Como se aqui na nossa cidade não existisse famílias e população negra”.

Carlos da Silva Pateis, doutor em Geografia, professor do Instituto Federal Catarinense Campus Blumenau, acredita que essa diminuição na proporção de negros à retração geral do mercado de trabalho no Brasil:

“É um dado bastante instigador, que inclusive estimula a pesquisas mais aprofundadas. A priori, eu atribuiria essa diminuição na proporção de negros à retração geral do mercado de trabalho no Brasil, nos últimos anos, e da qual Blumenau não está ilesa. O declínio na oferta de postos de trabalho na cidade pode ter tanto desestimulado a chegada de novos migrantes, como também desencadeado migrações de retorno, com pessoas partindo à busca de melhores oportunidades de trabalho em seus locais de origem ou em outras regiões mais dinâmicas. Veja-se por exemplo que até há poucos anos era frequente a chegada de imigrantes haitianos, sendo atualmente em número muito menor devido à crise econômica do país”.

Carlos Alberto Silva, professor de comunicação da Furb e vice-coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, destaca possíveis pontos que levaram a diminuição e ressalta que para desconstruir o racismo, é preciso entendê-lo:

“Em Blumenau a predominância da cultura germânica e políticas públicas levam muitas vezes os negros a não se auto-declararem negros, sobretudo aqueles que estão na condição de negros mais “claros”. Outra possibilidade é a própria invisibilidade na cidade, encontrando-os somente em alguns pontos mais afastados. Quando cheguei em Blumenau, em 1994, não via negros na universidade e nem no Centro da cidade. Agora, eu vejo um pouco mais, pelo menos circulando nos espaços onde há uma concentração econômica maior, ou seja, um quadro que melhorou em contrapartida aos dados do IBGE. É evidente, o racismo existe, tanto verbais quanto físico, o olhar que condena, lojas de grifes onde os atendentes te ignoram, por exemplo. Para desconstruir o racismo, é preciso entendê-lo”.

 

 

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