20/março/2018

Um ano acidificado

2018 vai se consolidar como o ano das cervejas ácidas


Jornalista e vencedor do Eisenbahn Mestre Cervejeiro 2017

Passada a badalação do Festival Brasileiro da Cerveja, evento que ocorreu entre os dias 7 e 10 de março, chegou a hora de traçar um panorama do que vamos ver ao longo do ano como sendo a nova “coqueluche cervejeira”.

Se uma coisa ficou clara pra mim em relação ao que vi e, claro, bebi, é que 2018 vai se consolidar como o ano das cervejas ácidas. Raramente encontrei um estande que não estivesse oferecendo ao menos um exemplar desse tipo de cerveja. Até cervejarias mais tradicionais de mercado, como a carioca Therezópolis e a blumenauense Eisenbahn, disponibilizaram suas criações durante o evento.

Não que isso fosse alguma novidade, afinal a bola já vinha sendo cantada por cervejeiros e sommeliers ao longo de todo o ano passado, inclusive durante o Conversas Plurais com Carlo Lapolli, evento promovido pelo Cidade Plural, comentamos sobre essa tendência.

A grande questão aqui é: será que as cervejas ácidas vão mesmo cair na graça do público em geral ou as sours beers continuarão sendo queridinhas apenas dos consumidores especializados?

É certo que muita gente ainda torce o nariz (literalmente falando) quando se trata de tomar cervejas azedas, principalmente quando falamos do caráter rústico e, muitas vezes, agressivo de estilos centenários como Flanders, Guezes e Lambics, que trazem uma enorme complexidade de aromas e flavors, muitas vezes lembrando feno, estábulo, couro e o toque avinagrado proporcionado por microorganismos diversos, como a bactéria Pediococcus e Lactobacillus e a levedura Brettanomyces.

Por outro lado, estilos menos complexos e leves como as Berliner Weisses e as Catharina Sours, podem ser uma opção mais interessante para agradar o paladar brasileiro.

Porém uma outra vertente na contramão ainda insiste em dizer que esses estilos lembram mais um “suquinho” do que uma cerveja de fato. A minha aposta nas Sours ainda se mantém em pé, apesar de alguns torcedores contra.

Minha convicção vem de um histórico no Brasil de seguir as tendências norte-americanas. Por anos passamos bebendo American Lager achando que bebíamos pilsen. Tivemos dificuldades em aceitar as English IPAs, mas nos apaixonamos pela versão americana da lupulada amarga. Com as ácidas isso não deve ser diferente. Atualmente é quase impossível encontrar uma cervejaria norte-americana que não possua ao menos um tanque destinado à produção de Sour Beers.

Graças à criatividade dos mestres cervejeiros nos Estados Unidos, estilos já consagrados como: NEIPA, American Wheat e até Saison estão surgindo no mercado em suas versões acidificadas. Se minha aposta estiver certa, essa tendência deve ser seguida nas terrinhas brasileiras e, em breve, vamos ver muitas cervejinhas azedas nas prateleiras de nossos supermercados.

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