09/Março/2016

Muito antes da Eisenbahn – A história das cervejarias de Blumenau

No dia da abertura da sétima edição do Festival Brasileiro da Cerveja, a cidade de Blumenau conta com seis cervejarias, sem contar os caseiros, que abastecem festas particulares e rodas de amigos. O Município busca na Câmara dos Deputados, através do deputado Décio Lima, o título oficial de CAPITAL BRASILEIRA DA CERVEJA. Até um selo […]


Jornalista, editor do Cidade Plural
Rótulo da primeira cerveja de Blumenau. FOTO: Reprodução Arquivo Histórico de Blumenau
Rótulo da primeira cerveja de Blumenau. FOTO: Reprodução Arquivo Histórico de Blumenau

No dia da abertura da sétima edição do Festival Brasileiro da Cerveja, a cidade de Blumenau conta com seis cervejarias, sem contar os caseiros, que abastecem festas particulares e rodas de amigos. O Município busca na Câmara dos Deputados, através do deputado Décio Lima, o título oficial de CAPITAL BRASILEIRA DA CERVEJA. Até um selo já foi criado, exaltando o ano de 1860. A data escolhida não poderia ser outra: foi o ano que a primeira cervejaria foi aberta na cidade, que cultivou a cultura da bebida nos 100 primeiros anos e deixou de lado na segunda parte do século XX, recuperando a tradição a partir de 2002, com a criação da Eisenbahn.

“A primeira cervejaria do Brasil é de 1853. Foram alemãs que montaram 10 anos depois de se instalarem em Petrópolis no Rio de Janeiro. Foi o Dom Pedro II que influenciou a Boêmia. Quando estive lá, contei para eles que nós também tivemos a primeira cervejaria 10 anos após a vinda dos alemães. As nossas cervejarias antigas estão na história também do país”, comenta o secretário de Turismo, Ricardo Stodieck.

A Cervejaria Hosang foi aberta em 1860, quando a colônia não tinha mil habiantes. O fundador, Heinrich Hosang, tocou a empresa até a sua morte, em 1888. O filho Francisco e o gerno Hermann Schossland continuaram o trabalho, a cervejaria passou a se chamar Schossland & Hosang. A primeira blumenauense fechou as portas em 1923.

Outra família tradicional que entrou no ramo cervejeiro foi a Rischbieter Brauerei. O alemão Carlos Rischbieter abriu a sua cervejaria no atual bairro Boa Vista em 1875. Com três produtos a disposição, as marcas Bavária, Favorita e Schwartzbier, a empresa durou até 1914.

FOTO: Reprodução Arquivo Histórico de Blumenau
FOTO: Reprodução Arquivo Histórico de Blumenau

A história das cervejarias blumenauenses virou livro. A jornalista Soila Freese o publicou o Ein Prosit Blumenau, contando a história da bebida na colônia. Soila conta que não há registros de muitas cervejarias existentes no fim do século XIX, que é difícil saber quantas delas a cidade chegou a ter. “A história oral foi a principal ferramenta de pesquisa, com descendentes das famílias que eram proprietárias”, comenta, lembrando que algumas famílias perderam o acervo durante as enchentes.

Além das cervejarias comentadas, cita-se ainda a Brandes, Kellermann, Persuhn (Indaial) e Koepsel.

Feldmann e a Vila Itoupava

Rótulos da Cervejaria Feldmann.
Rótulos da Cervejaria Feldmann.

A cervejaria antiga com maior acervo existente hoje é a Feldmann, da Vila Itoupava. Citada pelo alemão Heinrich Feldmann em 1898, a Feldmann foi a primeira cervejaria do Brasil a produzir o estilo Bock, hoje bastante popular no país. Além de cervejas, a empresa produzia licores e groselhas.

“A cervejaria utilizada a água de um riacho com cachoeira que tinha atrás da fábrica. Era uma empresa familiar, eles não tinham empregados de fora”, comenta Cássia Koehler, condutora cultural do Centro Cultural da Vila Itoupava.

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Antiga fábrica da Feldmann

A produção de cervejas na Feldmann acabou em 1954. “A concorrência com cervejarias nacionais como Antarctica e Brahma inviabilizaram a produção. Eles optaram em ficar só com os licores e groselhas”, comenta a historiadora Sueli Petry, do Arquivo Histórico de Blumenau.

Memorial da Cerveja no Centro da Vila Itoupava
Memorial da Cerveja no Centro da Vila Itoupava

A fábrica fechou as portas em 1978. Em 2001, o prédio onde funcionava a cervejaria foi repassada ao Município que reformou e abriu em 2004 o Centro Cultural da Vila Itoupava. Com o renascimento do mercado cervejeiro, o espaço voltou a ter a atenção de turistas e hoje há um memorial para a cerveja na casa, sendo inclusa na Rota Vale da Cerveja.

Os materiais da antiga cervejaria foram vendidos e hoje estão em exposição no Museu da Cerveja na Praça do Biergarten. Circula na cidade a proposta de levar o museu para antiga Feldmann na Vila Itoupava.

Antiga Feldmann na Vila Itoupava
Antiga Feldmann na Vila Itoupava

Linha do Tempo Cervejeira

1850 – Início da colonização

Cervejaria Blumenau é a mais nova da cidade
Cervejaria Blumenau é a mais nova da cidade

1860 – Cervejaria Hosang
1875 – Rischbieter Brauerei
1893 – Cervejaria Jennrich
1898 – Cervejaria Feldmann
1954 – Início do hiato cervejeiro

1986 – Cervejaria Continental no Biergarten (proposta que não evoluiu)
2002 – Renascimento – Cervejaria Eisenbahn
2003 – Cervejaria Bierland
2007 – Cervejaria WunderBier
2011 – Cervejaria Oktobier
2014 – Cervejaria Container / Cervejaria Belgard
2015 – Cervejaria Blumenau

Giovanni Ramos
Jornalista, editor do Cidade Plural

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