07/abril/2018

Fiz queijo e bebi cerveja inédita

Uma passada em Pomerode, durante o Festival Brasileiro da Cerveja


Jornalista e vencedor do Eisenbahn Mestre Cervejeiro 2017

Já pensou em conhecer uma fábrica de queijo e poder harmonizar essas delícias com uma super cerveja totalmente inédita? Parece até merchandising de programa popular, não é? Mas eu realmente vivi isso durante minha passagem por Blumenau, no Festival Brasileiro da Cerveja.

Em março, tive a oportunidade de conhecer, a convite do Juliano Mendes (um dos fundadores da cervejaria Eisenbahn), a fábrica da Pomerode Alimentos.

A empresa foi fundada em 2002 pelo filho e pelo neto do mestre queijeiro da antiga Companhia Weege, Guilherme Ziehlsdorf, como uma forma de resgatar o legado de produção do queijo Kraeuterkaese, tradicional creme de parmesão com erva fina inventado na Suíça.

De propriedade da família Mendes desde 2013, a Pomerode ainda mantém a tradição na produção do Kraeuterkaese e ainda aumentou sua linha de produtos. Atualmente produz também geleias de todos os tipos para harmonizar com os queijos e cremes. Coisa de encher os olhos e o estômago com prazer.

Durante o passeio guiado pelo Juliano, pudemos aprender como um queijo é produzido e, até mesmo, botar a mão na massa, literalmente. Logo após, passamos por uma degustação guiada, onde tivemos a oportunidade de experimentar um queijo brie nas mais diversas fases de maturação.

Gente, já fizeram isso? É algo surpreendente, como os sabores vão mudando dia a dia. Simplesmente sensacional.

Na minha turma de turistas queijeiros estava, entre outras celebridades do mundo cervejeiro, o Samuel Cavalcanti, fundador da Cervejaria Bodebrown, de Curitiba/PR, que nos presenteou com uma novidade que ainda não saiu da fábrica, uma cerveja inédita batizada, temporariamente, de Black Brut, uma versão escura do estilo Bièrre Brut.

Para quem não conhece, Bièrre Brut é um estilo de cerveja, ainda não reconhecido pelo BJCP e nem pelo BA, que seria o equivalente cervejeiro das champagnes. O grande diferencial está na segunda fermentação, feita através do método champenoise, que proporciona à bebida as características de um espumante.

Nesse método, a cerveja, após passar pela primeira fermentação em tanque e maturação, recebe uma nova carga de leveduras (normalmente a mesma usada em champangne), é engarrafada e acondicionada em caves climatizadas para descansar e refermentar. Nesse processo as cervejas são colocadas de cabeça para baixo. Normalmente a garrafa é girada diariamente ½ volta até a conclusão que dura alguns meses.

Segundo Samuel, a Black Brut está passando por esse processo em uma cave construída sob um antigo túnel de trem. O local é naturalmente climatizado e as garrafas devem permanecer nesse processo por pelo menos um ano.

Esse método proporciona um arredondamento da cerveja, intensifica alguns aromas mais complexos promovidos pela nova camada de levedura, acentua o perfil frutado por conta da maturação longa, reduz o amargor e aroma do lúpulo e, claro, revela um caráter mais frisante e corpo leve (como em um espumante).

A versão da Bodebrown é uma explosão de sabores e aromas. De cara notei algo que lembrou ameixa, frutas vermelhas, um pouco de chocolate. No final um dulçor bem característico de cervejas de estilo belga. Tudo isso de forma leve e harmônica com a alta carbonatação que um brut pede.

Mas a pergunta! Quando essa belezinha vai estar no mercado? A promessa de Samuel é que em outubro a cerveja será lançada, com mais complexidade de aromas e sabores, afinal, são mais sete meses de maturação. Eu particularmente estou ansioso por isso.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *