Cidadania

Vamos falar de Oktoberfest?

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A campanha Oktober Sem Machismo é iniciativa do Coletivo Feminista Casa da Mãe Joana, surgiu em outubro do ano passado e foi uma resposta a uma propaganda da marca Schin que objetificava as mulheres e, de quebra, chamava para a “Festa mais alemã das Américas.”.

A propaganda foi censurada, mas a revolta das mulheres continua. É comum ouvir das frequentadoras, blumenauenses ou turistas, que já foram agarradas ou ofendidas por homens na festa. Oktober sem Machismo preza pelo combate às situações misóginas, cantadas, atitudes violentas e até as “passadas de mão” indevidas. Somos contra a naturalização destes atos e a cultura de estupro: mulher não é obrigada a nada!

A campanha também acontece por meio de intervenções em várias ruas da cidade, em especial, na rua XV de Novembro: principal rua do município e palco dos desfiles alegóricos da Oktoberfest. Nas intervenções, também conhecidas como lambes, há mensagens como “chegar agarrando não é atitude, é assédio”, “beijo só consentido” e “não, é não”.

Uma das minhas maiores críticas diz respeito a como Oktoberfest é vendida/ mostrada Brasil a fora. Nem todas nós temos características europeias ou olhos claros. Nós não vamos sorrir que nem hienas quando mexerem conosco. Não, nós não vamos “sair beijando” como o Pânico na TV ou outros programas machistas insistem de mostrar.
Convém lembrar que a cidade que se diz “Alemanha, sem passaporte” está localizada no terceiro estado do Brasil com o maior número de denúncias de agressão contra mulheres. Convém lembrar que em 2013, Santa Catarina foi o terceiro estado com índices de estupro os quais, misteriosamente, aumentaram no mês de outubro. Que neste ano, Santa Catarina é o quarto estado com mais feminicídios no país.

Convém lembrar ainda que falar em gênero nas escolas está proibido pelos próximos dez anos e, os próximos quatro anos, seremos legisladas por homens brancos, privilegiados e que estes representantes do poder público nem pensam em lutar pelas causas das mulheres. Convém lembrar que ainda há muito a fazer: que precisamos ir juntas! O Oktober sem Machismo é só uma ponta deste enorme iceberg.

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