Urbanismo

Transporte coletivo: por uma licitação popular e democrática

Qual é o melhor modelo para o transporte coletivo de Blumenau? Quais exigência o novo edital de concessão, que a prefeitura deve lançar nos próximos cinco meses, deve conter? A população, principalmente os usuários do transporte coletivo, serão consultados? É isso que a Rede Minha Blumenau quer saber. A entidade protocolou um documento na Prefeitura nesta quinta-feira (18) questionando o prefeito Napoleão Bernardes sobre o assunto.

O documento protocolado, sub-escrito pelo Cidade Plural, possui dois questionamentos básicos: “quais serão os mecanismos de participação da população na construção do novo modelo de transporte coletivo?” e  ” a referida participação se dará após o edital de licitação estar concluído pela municipalidade?”.

Além de formalizar na Praça do Cidadão, a rede vai entregar nas mãos do diretor-presidente do Seterb, Carlos Lange, os questionamentos. A intenção é fazer com que a Prefeitura se manifeste e abra o espaço para discussão pública, que vá além de uma simples audiência pública.

“Não adianta continuar acreditando que um pequeno grupo de pessoas tomando decisões em salas fechadas, e sem dialogar com quem vive os problemas urbanos no cotidiano, é que vai resolver os problemas reais da cidade – e o mesmo vale para a mobilidade urbana, principalmente em momento de crise”, afirma Amanda Tiedt, fundadora da rede.

Carlos Lange e a responsabilidade com o novo edital
Carlos Lange e a responsabilidade com o novo edital

Minha Blumenau e o portal Cidade Plural já discutem as possibilidades de participação popular, caso a Prefeitura abra o espaço antes da finalização do edital. Debates com representantes de segmentos (associação dos usuários do transporte, DCEs, sindicato dos trabalhadores do transporte coletivo) e a coleta de sugestões pela internet estão pauta.

A reportagem do Cidade Plural procurou o diretor-presidente do Seterb, Carlos Lange, para comentar o assunto. De acordo com a assessoria de imprensa, Lange deverá fazer um pronunciamento nesta ou na próxima semana a respeito do tema.

Participação direta

Enquanto nenhuma informação sobre o novo edital é divulgada (exceto a exigência de veículos 0km), a preocupação da maioria dos usuários é com o contrato emergencial com a Viação Piracicabana, contratada dois dias após a rescisão com o Consórcio Siga.

O início das atividades da Piracicabana no começo do mês foi objeto de um trabalho colaborativo nas redes sociais. Os jornalistas e professores da Furb Evandro de Assis e Clóvis Reis, junto do jornalista Edgar Gonçalves Jr criam o grupo no Facebook “Coletivo Blumenau”. Os usuários do transporte coletivo foram convidados a participar de uma cobertura coletiva do transporte, relatando problemas e outras observações sobre o sistema de ônibus da Piracicabana.

O grupo possui hoje mais de 1,7 mil pessoas. As participações vão desde relatos por escrito, fotos e vídeos até sugestões do que precisa se feito no transporte coletivo. O professor do curso de Arquitetura e Urbanismo, Christian Krambeck, listou uma série de propostas de curto, médio e longo prazo.

Os relatos feitos dão uma dimensão da atual situação do transporte na cidade. Segundo Evandro de Assis, atrasos nos horários, superlotação e veículos quebrando são as principais reclamações. Ele alerta ainda que a situação atual desestimula o usuário a pegar ônibus.  “Presumo que tem muita gente desistindo de usar ônibus, e vai ser difícil trazer esse pessoal de volta mais para a frente. O sistema como um todo perde credibilidade junto ao usuário”.

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